Exposição “Tronos de Santo Antônio de Lisboa” chega ao Cais do Sertão

Padroeiro de Pernambuco, da capital pernambucana e da Arquidiocese de Olinda e do Recife, Santo Antônio é um dos santos mais cultuados no Estado, embora aqui não seja tão comum a montagem de altares domésticos em sua homenagem, durante o mês de junho. Isso ocorre com frequência em Portugal e até mesmo em outros estados brasileiros, como é o caso da Bahia (foto abaixo). Lá, durante os festejos de junho é comum que residências, lojas e até mesmo bares e restaurantes lhe dediquem espaço com a mesma importância dos presépios durante a época natalina. Na Europa, a tradição se perpetua desde 1755, e em Portugal as festas juninas têm até outro nome: “antoninas”.

O Santo também é padroeiro de Lisboa. No Recife, promete fazer o maior sucesso a exposição “Tronos de Santo Antônio de Lisboa”, que acontece entre os dias 12 e 14 de julho, no Cais do Sertão, no bairro do Recife.  É a primeira vez que a mostra chega ao Nordeste, o que ocorre por iniciativa da Associação de Turismo de Lisboa (ATL). A mostra conta a história da tradição centenária dos “tronos” feitos para o religioso, com destaque para o acervo do Museu de Lisboa – Santo Antônio. Com visitas guiadas em tempo integral, será possível conhecer a história da herança cultural da região envolvendo o santo e seus altares, além de contemplar outros símbolos populares típicos e costumes regionais, tais como: os bairros, as ruas, as calçadas, os azulejos, os manjericos, as sardinhas e os pães, bem como as louças de barro, o tostãozinho, as festas e, claro, os tradicionais casamentos. Já que, lá como cá, o santo tem fama de casamenteiro.

Segundo o diretor geral da ATL, Vitor Costa, os cidadãos, as paróquias e diversos grupos e comunidades confeccionam seus Tronos e os expõem em suas casas, portas ou nos arraiais das ruas. “Trata-se de uma tradição centenária, que valoriza a história dos bairros lisboetas, recuperando suas memórias antigas e valorizando a sua herança cultural”.  Mas tudo isso tem a ver com uma outra história. É que a tradição dos Tronos de Santo Antônio remete à resposta da população ao grande terremoto, em 1755, que abalou Lisboa e danificou sua igreja, provocando uma grande mobilização em torno de sua reconstrução. Desde então, os “tronos” se disseminaram em Portugal (foto abaixo).

Enquanto os decretos reais ampliavam o recolhimento de esmolas em todo o reino, as crianças locais erguiam pequenos altares nas soleiras das casas durante o período das festas dos santos populares, pedindo “uma moeda para o Santo Antônio”. Assim, a tradição enraizou-se, tornando-se parte das atrações das famosas “Festas de Junho”. No século 19, os pequenos passaram a pedir “cinco milreizinhos para a cera do Santo Antônio” para gastar em guloseimas e fogos de artifício, juntando-se à folia das festas, que incluía os arraiais, os balões de cores e as guitarradas. Assim, toda a cidade enfeitava-se para receber seu Santo mais querido, seguido agora pelos pedidos do “tostão para o Sant’Antônio”, estendido por todo o mês de junho.

Feitos com caixas de cartão ou bancos baixos, os Tronos eram decorados com velas, vasos, cruzes e sacrários, entre outros objetos, de chumbo ou de madeira. Já as imagens do religioso eram feitas em barro e, nas casas mais humildes, eram substituídas por estampas de papel. O século 20 veio consolidar a presença dessas peças na cidade e, ainda hoje, todos os anos no mês de junho, os bairros da capital portuguesa são decorados com Tronos em homenagem a Santo Antônio, o padroeiro preferido dos lisboetas.

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SERVIÇO:
Exposição “Tronos de Santo Antônio”

Quando: 12 a 14 de julho
Onde: Museu Cais do Sertão
Armazém 10, Av. Alfredo Lisboa, s/n – Bairro do Recife
Horários:
Sexta – 10h às 16h;
Sábado e domingo – 11h às 17h
Quanto: R$ 10 inteira e R$ 5 meia

Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Divulgação e Acervo #OxeRecife

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One comment

  1. Texto muito interessante sobre os altares de São Francisco, Letícia. Não conhecia essa vertente! Parabéns e obrigado pela matéria. 👏🏾👏🏾👏🏾

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