Exposição “Armorial 50” começa hoje no Museu do Estado e revive a magia da obra de Ariano Suassuna

 Exposição “Armorial 50” começa hoje no Museu do Estado e revive a magia da obra de Ariano Suassuna

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Imperdível, a exposição “Armorial 50”, que entra em cartaz a partir dessa quarta-feira (18/10), no Museu do Estado de Pernambuco. Ela está sendo aberta agora à noite, só para convidados.  À tarde, tivemos uma visita guiada com a curadora Denise Mattar. Como já falei aqui sobre a mostra, é importante agora destacar como ela está distribuída. Logo na entrada, o público é recebido com uma curiosa alegoria: a da Onça Caetana, personagem de mitos sertanejos e presente na obra de Ariano  Suassuna. Esculpida pelo artista bonequeiro Agnaldo Pinho (MG), o animal cumpre o papel, também, de espaço “instagramável”, iniciativa cada vez mais presente em restaurantes, museus, cinemas, até shopping-centers. Afinal, ninguém vive hoje sem fazer uma selfie, não é mesmo? Já nesse primeiro pavimento, o visitante começa a mergulhar na obra do mestre, a trajetória pessoal, a carreira, o surgimento do Movimento Armorial.

Também há painéis imensos de cordéis e uma cronologia sobre Ariano e o Movimento Armorial. Além do térreo, a exposição “Armorial 50″ ocupa as três galerias que ficam no piso superior do MEPE. Os visitantes poderão ver expostos os figurinos do artista plástico pernambucano Francisco Brennand (1927-2019), criados para o filme A Compadecida, de 1969, primeiro longa-metragem baseado na premiada peça teatral Auto da Compadecida. O traço de Brennand poderá ser visto em doze desenhos em nanquim aquarelado. Trechos do longa-metragem, que foi filmado em Brejo da Madre de Deus, município do Agreste pernambucano, integram este núcleo.   O artista Gilvan Samico (1928-2013), considerado pelo próprio Ariano como o que se manteve mais fiel às diretrizes do Movimento Armorial, ganha destaque com uma sala em sua homenagem, com um conjunto de xilogravuras e pinturas. Também estarão expostas obras de Aluísio Braga, Fernando Lopes da Paz, Miguel dos Santos, Fernando Barbosa e Lourdes Magalhães.

Grupo Giral de Dança assimilou tão bem o Movimento Armorial que passou a integrar as aulas de Ariano Suassuna

O núcleo familiar de Ariano se faz representado com obras de Manuel Dantas Suassuna, Zélia Suassuna e Romero de Andrade Lima (filho, mulher e sobrinho do escritor). E  há um espaço dedicado exclusivamente ao criador do Movimento Armorial, inclusive em que a pouco conhecida faceta de Ariano como artista plástico pode ser vista em toda a sua plenitude. O andar ainda reserva outros tesouros, como o alfabeto armorial criado por Ariano a partir de estudos com tipografias inspiradas nos ferros de marcar gado. Monitores exibem trechos das famosas aulas espetáculo de Ariano, do filme “O Auto da Compadecida“, entre outros.

Ainda dentro do universo de Ariano, há um ambiente com fotos das ilumiaras, que, segundo o professor e escritor Carlos Newton Júnior, identificam “conjuntos artísticos diversos, surgidos a partir da integração de vários gêneros (pintura, escultura, arquitetura etc.) e que podem ser compreendidos como locais de celebração da cultura brasileira”.  E, caminhando pelos espaços, o visitante poderá apreciar peças que celebram também os 25 anos do Balé Grial, em fotos, vídeos e figurinos (foto central). O Grial foi o grupo de dança que melhor incorporou o espírito do Movimento Armorial e inclusive era chamado por Ariano pra apresentações naquilo que ele chamava de aula-espetáculo. Há, ainda espaço dedicado à música armorial, com as capas dos discos de vinil do Quinteto Armorial, e outro reservado às diversas referências da cultura popular, como o maracatu, o cavalo marinho, o reisado, os cordéis e as xilogravuras. Segundo Denise, o caboclo de lança do maracatu rural – tão familiar aos pernambucanos – deslumbrou o público por onde a exposição já passou. Meu amigo e artista plástico Cildo Oliveira, que mora em São Paulo, viu a expô por lá e é todo elogios, inclusive à curadoria de Denise Mattar. A exposição “Armorial 50” foi idealizada pela produtora cultural Regina Rosa de Godoy.  E pelo que se vê, as duas acertaram em cheio ! A abertura  da mostra será comemorada com concerto na Concatedral de São Pedro dos Clérigos (ver informação no Serviço).

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SERVIÇOS
Mostra Movimento Armorial 50 anos
Museu do Estado de Pernambuco (MEPE), Avenida Rui Barbosa, 960, Graças, Recife-PE

Entre 18 de outubro de 2023 e 7 de janeiro de 2024
Horários de visitação: terça a sexta-feira, das 9h às 17h; sábados e domingos, das 14h às 17h
Quanto: gratuito, mas ingressos devem ser retirados no Sympla. Já estão disponíveis.

Concerto do Quinteto da Paraíba
Dia: 18 de outubro
Horário: 19h
Onde: Igreja de São Pedro dos Clérigos, no Pátio de São Pedro
Quanto: gratuito, mas sujeito à lotação da igreja.

Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Cláudio Geber e Daniela Nader / Armorial 50/ Divulgação

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2 Comments

  • Show Letícia! Parabéns pelo belo texto sobre a exposição “Armorial 50”, que faço questão de conferir assim que puder!! Acho que só faltou o espaço dedicado ao Sport, nosso clube de coração que homenageou o artista esse ano com o traje esporte fino e numeração em algarismo armorial! Rsrsrsrs

    • Também achei. O “Esporte fino”. Mas a mostra é sobre o movimento armorial, e o Sport não é armorial….

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