“Escuta Levino” sai na quinta sem a “festa” dos “Guerreiros do Passo”

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Responsável por uma das melhores prévias do carnaval do Recife, o Clube Carnavalesco Misto Escuta Levino vai sair desfalcado na quinta-feira (20/02).  Desfilando desde 2009 ao lado da agremiação carnavalesca que tanto anima as ruas do centro, os Guerreiros do Passo permanecem em casa amanhã à noite. E também por todo o carnaval. A decisão tem motivo simples:  fica muito caro colocar todo mundo na rua, sem um cachê mínimo que cubra, pelo menos, as despesas do grupo,  formado por voluntários. Voluntários que, aliás, fazem um belo trabalho de  resistência cultural.

Os Guerreiros do Passo existem desde 2005, e dão aulas gratuitas para pessoas de todas as idades, na Praça do Hipódromo. Os encontros são sempre nas tardes dos sábados e nas noites das quartas-feiras. E os grupos de “alunos” crescem à medida que se aproxima o carnaval. Na última vez que lá estive, havia pelo menos 50 pessoas aprendendo a coreografia do frevo. Inclusive eu. “É muito triste que deixemos de atuar em um momento tão bonito da nossa cultura popular, que é o carnaval”, lamenta Eduardo Araújo, criador do grupo. “Vamos sim, ficar de fora, como forma de protesto e para mostrar nossa indignação”, comenta, lembrando que a iniciativa do grupo representa custos, inclusive com a aquisição das sombrinhas do frevo. Dependendo da qualidade, os preços variam de R$ 15 a R$ 50. “Mas as mais baratas não aguentam o rojão, quebram logo”.

Grupo Guerreiros do Passo fez vaquinha virtual para viabilizar aulas gratuitas de passo em 2020: resistência cultural.

Para manter o grupo funcionando, os Guerreiros fizeram um vaquinha virtual, com a qual arrecadaram R$ 6 mil. A pretensão era recolher R$ 8 mil, só para custear as despesas com as aulas gratuitas  de 2020 (fornecimento de sombrinhas, som, deslocamento, oferta de água mineral, etc). Mesmo sem ter arrecadado o que pretendia, o grupo promete dar reinício às aulas, logo após a Semana Santa. “O que fazemos é resistência cultural. Em 2019, os Guerreiros saíram no Escuta Levino e apresentaram-se em evento na Torre Malakoff, com cachê bancado pela Fundarpe, mas o valor só nos foi pago em setembro”, diz Eduardo. “É burocracia demais”, reclama. Pior. Grupos empresariais que faturam muito alto com eventos, sondam os Guerreiros para apresentações em suas festas pré-carnavalescas. Mas se recusam a pagar cachê. Ou seja: a cultura para uns pode render muito dinheiro e para outros tem que ser feita na base só do altruísmo? Não, não pode se assim. Principalmente para quem fatura milhares de reais com festas nababescas que, claro, não é o caso do Levino, que também faz resistência, ao preservar o nosso carnaval de rua (hoje contaminado pela presença de trios elétricos,  outros ritmos e até com música eletrônica).

Em todo caso, não dá para tirar dinheiro do próprio bolso, para animar grandes festas que rendem muita mufufa aos organizadores e promotores de eventos. O grupo se apresenta com 16 integrantes, que não só fazem o passo para valer, como o reproduzem em seus primórdios, quando os guarda-chuvas ainda não eram estilizados e o frevo rasgado de rua era diversão  só de classes trabalhadoras. Estão lá, entre alguns dos personagens que faziam o frevo no passado: a lavadeira, o estivador, o gazeteiro, o capoeirista, o passista. Tem  até o guarda  – para perseguir os foliões, que representavam as classes marginalizadas –  e não bem vistos pela alta sociedade de então. O Escuta Levino se concentra a partir das 18h da quinta (20/02), na Praça Maciel Pinheiro, de onde sai em desfile com Orquestra de Frevo pelas ruas do Centro.  O bloco é nota dez. Mas que os Guerreiros vão fazer muita falta, ah… isso vão…

Aliás, dois lembretes para essa quarta-feira, 19/2: desfile do Bloco das Flores (concentração às 18h na Praça Maciel Pinheiro) e Paraquedista Real, 20h, no Poço da Panela.

Veja vídeo dos Guerreiros do Passo:

 

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Texto, fotos e víde: Letícia Lins / #OxeRecife

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