Entre o amor e a revolução

 Entre o amor e a revolução

Compartilhe nas redes sociais…

Para o historiador Oliveira Lima (1867-1928), a de 1817 foi “a única revolução brasileira digna desse nome”. Já o também historiador Dênis Bernardes (1950-2014) diz ter sido aquela “o único movimento político que afrontou vitoriosamente o reino de Portugal, desde o início de sua história, em 1140”. Para alguns estudiosos, como Jacques Ribemboim – um dos gurus aqui do #OxeRecife – ela foi uma “revolução separatista”. Para outros, como Roberto Pereira, a opinião é completamente oposta: “ A Revolução de 1817 não foi separatista”.

Polêmicas à parte, com as comemorações de 200 anos daquele movimento – segundo alguns, mais importante até do que a Inconfidência Mineira – lembro uma boa dica para vocês. Tirem da estante “A Noiva da Revolução”, de Paulo Santos, o jornalista e historiador que sempre nos brinda no Diário de Pernambuco com ótimos relatos sobre personagens da nossa História. O livro é uma delícia. E trata do romance de Domingos Martins e Maria Teodora e da República de 1817.

E o que um romance teria a ver com a Revolução? Na história em geral,  e na nossa em particular, não são poucos os casos em que o amor se mistura com a política. Aqui, bem pertinho, a gente tem o exemplo do idílio proibido entre Anayde Beiriz e João Dantas, que detonou a Revolução de 1930. Pois como relata Oliveira Lima, aquela revolução de 1817 foi “tão intensa, apaixonada e romântica, que teve como símbolo o caso de amor entre Maria Teodora Costa e Domingos José Martins”. Ela era filha de um português rico, enquanto o consorte era “o maior líder patriota”.

Vejam o depoimento de Teodora, que abre o livro: “A Revolução é uma guerra civil entre nós para acabar com a separação dos ricos e pobres, a discriminação das gentes de pele escura, e levar a felicidade a todas as pessoas, sem exceção de nenhuma, me disse cera vez um pobre alfaiate baiano, pardo liberto. Mas eu também ouvi de um fidalgo branco e riquíssimo, que a revolução é o mais negro e abominável dos males que pode acometer um país.”. Para Teodora a revolução é tanto uma coisa quanto outra. “Uma delas me trouxe e me arrebatou a felicidade”, afirma a  personagem de Paulo Santos (ops, da Revolução). O autor abre “ A Noiva” com Teodora falando na primeira pessoa. A prática persiste até o final do romance, no qual se alternam as falas dela e de Domingos. Texto leve, romanceado, mas fiel aos acontecimentos históricos, produzido como um Diário, no qual os dois inquietos pombinhos fazem seus relatos na primeira pessoa. Imperdível.

Texto: Letícia Lins / #OxeRecife 

Posts Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.