Entre na viagem mágica de “Jaraguá, o herói inzoneiro”, livro de Homero Fonseca

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No folclore brasileiro, o Jaraguá é uma figura enigmática e marcante, com presença em várias manifestações culturais do País. No Nordeste, é associado ao Bumba Meu Boi e ao Reisado. No romance praticamente inédito do jornalista, escritor e blogueiro Homero Fonseca, ele é um  intrigante herói que vive por quatro séculos,  período em que empreende uma viagem no tempo, na história e na geografia do Brasil. Uma empreitada divertida e mágica por diversos territórios e épocas, e que só termina no início do século passado, com o retorno do personagem  ao local de partida, no Litoral Norte de Pernambuco.

O livro, “Jaraguá, o herói inzoneiro”, será lançado a partir das 17h do dia 9/12, no terceiro jardim da Praça de Casa Forte (aquele que fica próximo  ao Cruzeiro existente em frente à Paróquia Sagrado, Coração de Jesus, que no  passado pertenceu ao Colégio da Sagrada Família). Além de jornalista conceituado, com passagens em veículos de grande importância, Homero é autor de pelo menos quinze títulos, já tendo publicado contos, crônicas, biografia, literatura infantil, entre outros gêneros.  “Jaraguá” é seu segundo romance (o primeiro foi “Roliúde”). E, no momento, ele trabalha em um terceiro, “A fuga triunfal”, título ainda provisório. Em “Jaraguá”, Homero mantém o tom picaresco de “Roliúde”, mas a pegada é outra, pois ele mergulha no realismo mágico que tanto identifica a Literatura latino americana. Basta dizer que em uma de suas viagens, Jaraguá “embarca” no “Pavão Misterioso”, quando os aviões ainda não cortavam os céus do mundo. Em outra “viagem”, do Amazonas ao Tocantins, Jaraguá está a bordo de uma canoa voadora.

O herói nasceu em 1500, na verdadeiramente histórica Ilha de Itamaracá. Na antiga  Capitania, a mulher de Jaraguá tece uma manta interminável, enquanto o espera de volta, no melhor estilo Penélope, aquela que tecia  à espera de Ulisses, na “Odisseia” de Homero. No livro de Homero, o Fonseca,  Jaraguá também faz uma longa viagem. E transita entre personagens reais de nossa história, alguns bem conhecidos como Zumbi, Maria Quitéria, Antônio Conselheiro, Leão Coroado. Outros nem tanto, como Sepé Tiaraju e Cabralzinho. Sepé foi um líder indígena guarani e guerreiro. Cabralzinho, mas conhecido no Norte do Brasil, teve papel decisivo no Amapá, durante a ocupação francesa. No romance, Jaraguá inventou o samba, o futebol e até a vaquejada, dentro das licenças poéticas às quais o autor se permitiu. No caso da vaquejada, um tal Coronel Alcino “parabeniza” o nosso herói:

“Forasteiro, acabastes de inventar uma nova modalidade de lida de boi. Nunca ninguém havia pensado em derrubar o bicho, segurando-o pelo rabo. Vi que o fizestes com extrema perícia, mais usando o jeito que a força. Seguramente não sois um viajante comum. Poderias dizer qual a vossa graça?” (Página 97)

O herói encontra mulheres guerreiras e sensuais, consegue se livrar de nativos antropófagos, de feitiços  e conta com ajuda ou fúria dos orixás. Também desperta paixões, mas as deixa para trás, quando lhe é apresentada nova missão. O romance de Homero é uma viagem mágica, que você lê de um fôlego só. E que, algumas vezes, até confunde o leitor entre o que é real e o que é ficção. Eu, por exemplo, não conhecia nem Tiaraju nem Cabralzinho e cheguei até a pensar que eram fictícios. Mas eles realmente existiram, como tantos outros personagens fascinantes de nossa história. O romance começa a ser relatado em 1493, desenrolando-se em períodos determinados: 1574, 1637 a 1695, 1700, 1756, 1817, 1823, etc. Ou imprecisos: “mais ou menos 1698”; “meados do século 18”; “Litoral de Alagoas, sem data”.

O território da Caatinga também é visitado pelo herói quatrocentão, que chega ao  Arraial de Canudos

E  assim, o nosso herói, praticamente imorrível, vai até 1900, depois de ter andado por todo o Brasil, entre florestas exuberantes da Amazônia, a vegetação seca do Raso da Catarina; o quilombo dos Palmares, em Alagoas; as ruas tumultuadas do Recife durante a Revolução de 1817; os pampas gaúchos; as ressacas do mar no Rio de Janeiro. Além de personagens históricos reais, o herói também encontra tipos populares, famosos no Nordeste, como o cego Aderaldo. Em outras palavras, o livro é um deleite,  segundo  reconhecem escritores consagrados, como Ignácio de Loyola Brandão e Antônio Torres, ambos imortais da Academia Brasileira de Letras. Vamos lá? Dia 9/12, na Praça de Casa Forte.

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Serviço
Lançamento do livro “Jaraguá. O herói inzoneiro”

Autor: Homero Fonseca
Onde: Praça de Casa Forte, 3º jardim
Quando: Terça, 9 de dezembro
Horário: a partir das 17h
Valor do livro: R$ 60
Obs: Após o lançamento, o título custará R$70 (inclui taxa de entrega de R$ 10)

Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Divulgação e Acervo #OxeRecife

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