Eleição presidencial: Institutos de Pesquisas falharam muito acima da chamada “margem de erro”

 Eleição presidencial: Institutos de Pesquisas falharam muito acima da chamada “margem de erro”

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Foi um tal de bate coração… Fiquei em casa, acompanhando pela TV – via Globonews – a apuração das eleições do domingo. Foi uma apuração tensa, que desmontou por completo tudo que as pesquisas apontavam, quando o assunto era a disputa entre Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL), inclusive em grandes colégios eleitorais como São Paulo e Minas Gerais. Ipec (ex-Ibope), Datafolha, Ipesp pisaram na bola. Os três institutos mais conhecidos de pesquisa erraram na previsão por uma diferença de “somente” 14 pontos.

Ou seja, uma “margem de erro” muito maior do que os “dois para cima ou para baixo”, como costumam anunciar. Lula venceu o primeiro turno com 48,09  por cento contra 43,5 por cento do ex-capitão. Ou seja, uma pequena diferença de 4,59 pontos. Mas o Ipec apontava 51 por cento (Lula) e 37 por cento (Jair). Já a DataFolha indicava 50 por cento e 36 por cento, respectivamente. E  Ipesp  acusava 49 por cento e 35 por cento. Erraram todos. E não foi por pouco não. Todos se equivocaram porque a diferença entre o que as urnas mostraram e o que os três órgãos de pesquisa previam foi de 14 pontos. O que não é pouco.

Todos os outros órgãos que se envolveram em pesquisas, também erraram. E feio. Por diferenças que variam de 7,1 por cento a 11 pontos e, portanto, também bem acima das chamada margem de erro. Além dos três acima citados, houve falhas nas previsões do Quaest, Poder Data, Ideia, MDA, Paraná Pesquisas, entre outros. Será que a metodologia está correta? Durante toda a campanha, recebi um só telefonema para pesquisa de intenção de voto. Sinceramente, não sei nem o que a pesquisadora entendeu, pois a pergunta foi mal elaborada e o telefone foi desligado antes mesmo que eu me fizesse entender sobre qual seria meu candidato. Nem cheguei a pronunciar o nome dele por completo e a linha já caiu. Ela disse um nome, não era o meu. Quando fui citar o segundo, meu candidato, nem acabei de falar. Fiquei questionando a forma de se fazer pesquisa eleitoral.

Tristeza: O homem da boiada, o Ministro do Meio Ambiente que defendia grileiros e madeireiros foi eleito em SP.

Houve erro, também, nas previsões para os maiores colégios eleitorais do Brasil – Rio de Janeiro São Paulo e Minas Gerais – que são tidos como importantes para a vitória de qualquer candidato a Presidente. Como era previsto, Lula venceu em todos os estados do Nordeste. Ganhou em Minas Gerais por uma diferença muito menor do que o esperado, perdeu em São Paulo e no Rio de Janeiro, onde os institutos apontavam que ele levaria a melhor em SP e teria uma eleição bem disputada no RJ,com chance de ganhar lá também.

Outro fato que chama a atenção é a enxurrada de bolsonaristas eleitos para as casas legislativas.  Só no Senado, o bolsonarismo elegeu 14 dos 27 senadores, incluindo ex-Ministros como Marcos Pontes (SP), Tereza Cristina (MT) e a polêmica Damares Alves (DF), a queridinha da primeira dama Michele Bolsonaro. O vice-Presidente, Hamilton Mourão, também elegeu-se no Rio Grande do Sul. Entre os deputados eleitos, duas figuras que não mereciam voto: Ricardo Salles (ex-Ministro do Meio ambiente, aquele da boiada) e Humberto Pazuello (ex-Ministro da Saúde, aquele que fez tudo errado na pandemia).

O primeiro conseguiu eleger-se em São Paulo e é um dos puxadores de voto no estado. O segundo, no Rio de Janeiro. Em um país mais sério, os dois estariam atrás das grades. O primeiro por crimes contra o meio ambiente. O segundo, pelas vidas perdidas. Como explicar que duas figuras tão nocivas à sociedade quanto estas tenham conseguido tantos votos? Em Pernambuco, o bolsonarismo também mostrou força na Assembleia Legislativa. Os dois mais votados no estado, Coronel Feitosa (PL) e Pastor Tércio (PP) são ligados ao Bozó. Ao todo, 19 deputados considerados conservadores foram eleitos (PP, PL e União Brasil, Patriotas). O resto ficou assim:  14 (PSB), três (Solidariedade), sete  (Federação  PT/ PC do B/ PV), três (PSDB/Cidadania),  um (PSOL). Na Câmara dos Deputados, Pernambuco tem uma bancada de 25, sendo onze conservadores. Para a Câmara dos Deputados, que tem 25 deputados, Pernambuco está enviando onze políticos conservadores. Eita Brasil conservador!

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Reprodução Internet

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