E viva o verde em Bogotá

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A convite da minha filha e do genro – Joana Carolina e Fernando Amorim – estive na Colômbia por pouco mais de uma semana. E ficamos entre Bogotá e Cartagena.  Mas por enquanto, vou falar de Bogotá. Não estive lá como repórter, e sim como turista.  Mas mesmo assim é impossível deixar de fazer algumas observações ao compararmos a situação da cidade com a do Recife. Pelo menos no que diz respeito ao verde. Rodei muito e não vi um só toco de árvore, como os que a gente observa, aos montes, aqui no Recife, onde as marcas do arboricídio estão  presentes em todo  os lugares.

Ao contrário, o que me impressionou foi a presença do verde nas praças, ruas, alamedas e parques. Todos extremamente bem cuidados, sem presença de nenhuma motosserra insana. Não é de estranhar, portanto, o clima ameno da cidade de cerca de 8 milhões de habitantes por todo o ano. O maior parque de Bogotá, o Simon Bolívar, tem nada menos de 400 hectares (o maior do Recife, o da Macaxeira, tem dez). Há cinco outros parques, também imensos. Mas os motoristas de táxi me informaram que cada bairro tem o seu próprio parque. Andei dando uma busca sobre a presença do verde na cidade e colhi a informação de que Bogotá  possui cerca de mil parques, incluindo os pequenos. O que renderia, segundo algumas publicações, 107  metros quadrados de área verde por pessoa. Pelo menos, é o que informa artigo divulgado pela Associação Brasileira do Ministério Público do Meio Ambiente.

Ao contrário do Recife, Bogotá revela profundo respeito ao verde e à manutenção das árvores da capital colombiana.

O verde, realmente, está em todos os lugares. As ruas são muito bem arborizadas. Bogotá possui um amplo sistema de parques que se integram entre si, por conjuntos de corredores (para pedestres e ciclistas) combinados em perfeita harmonia com praças, pracinhas, zonas úmidas, alamedas. Insisto, na mesma tecla: Não testemunhei uma só árvore decepada, e era comum observar-se – em praças e jardins – trabalhadores em serviços diários de manutenção, coisa rara por  aqui, onde praças viram matagais e os gramados morrem à míngua. Vi que a maioria das calçadas possuem jardins com canteiros floridos.

À margem das rodovias que conduzem a locais como o Cerro de Monserrate – uma das atrações turísticas da cidade, ao qual chegamos de teleférico – também não presenciei montanhas de lixo (como na parte urbana da BR-101) e nem tão pouco o matagal que a gente observa, aqui, naquela importante rodovia. O que vi foram canteiros centrais cobertos por um gramado de verde muito viçoso, e laterais completamente arborizados.  Não é à toa que  – em estudo sobre situação ambiental de 17 cidades da América Latina – Bogotá tenha figurado entre as melhores. Lá não é preciso fazer nenhuma campanha com o mote “Parem de derrubar árvores”, veiculado no #OxeRecife. E viva ao verde!

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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