Louco por livros, o jornalista Ney Anderson, do Recife, tem muito o que comemorar. Não satisfeito em devorar obras literárias – na proporção mínima de um livro por semana – decidiu criar um site para compartilhar com amigos as alegrias das leituras. Acontece que o Angústia Criadora (www.angunstiacriadora.com) está completando sete anos no dia 9 de maio, com uma grande folha de serviços prestados à cultura, tendo se tornado um disputado espaço de debate sobre a produção dos escritores brasileiros, principalmente na área de ficção. O site ocupa espaço esquecido por grande parte dos jornais brasileiros que, por economia de papel ou motivos outros, costumam suprimir seus cadernos literários.
“Eu sempre gostei muito de ler, mas na impossibilidade de escrever sobre literatura nos jornais, por falta de espaço nos veículos da imprensa tradicional, decidi criar o site justamente para ser um local onde as pessoas pudessem encontrar um pequeno recorte do que estava (está) sendo produzido no país”, diz. “Assim, o Angústia Criadora acaba sendo o elo entre os livros e os leitores em potencial”, afirma. Normalmente, o site publica quatro “resenhas sinceras” por mês, depois que ele lê os livros com cuidado. Ney tem uma particularidade: prefere não falar mal de livros que não gosta, para não desestimular os autores. Até porque acha que é seu dever recomendar coisas boas para eventuais leitores.
“O Angústia Criadora se apresenta como um veículo de debate sobre a literatura brasileira atual que é tão rica e diversificada, servindo, também, como um espaço de incentivo à leitura, dando espaço ainda, em menor escala, ao trabalho de autores estrangeiros. O aspecto primordial do site é justamente publicar textos críticos de maneira clara, mas aprofundada”. Pelo site já passaram escritores como Raimundo Carrero, André Vianco, Marcelino Freire, Lourenço Mutarelli, Adriana Falcão, Raphael Montes, Michel Laub, Victor Heringer, Daniel Galera, Dalton Trevisan, Ana Paula Maia, Thalita Rebouças, entre outros.
No Angústia Criadora também são divulgados eventos do setor, como bienais, feiras e festivais, além de matérias variadas sobre o universo dos livros e da leitura. O site já abrigou até uma oficina literária por seis meses, com alguns escritores pernambucanos, denominado Eu escritor. A oficina resultou no livro Escrever ficção não é bicho papão (Edições Geni). O bom disso tudo é que, em sete anos, o site já teve acesso de todo o Brasil e também de outros países. “E isso comprova o crescente interesse por literatura brasileira nas suas mais variadas formas, gêneros e formatos”, comemora. “Considero o meu trabalho de crítico quase como o de um militante. Talvez resida nisso o respeito que o Angústia Criadora venha conquistando em todos esses anos, pois mantenho o site por gostar de escrever sobre literatura. Me sinto gratificado quando recebo mensagens positivas sobre o meu trabalho. É o reconhecimento por ser comprometido com a obra de arte literária”, afirma.
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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Karla Tatiane
