Depois de restaurada e da iluminação cênica, Ponte da Boa Vista volta a ser pilhada. Infelizmente

Icônica que só ela, tida como um dos cartões postais do Recife e responsável pela ligação entre os bairros da Boa Vista e de Santo Antônio, a Ponte da Boa Vista voltou a ser pilhada. Infelizmente. Logo ela, que havia passado por processo de restauração, com pintura e após ter recebido iluminação cênica, o que contribuiu para que ficasse ainda mais bonita à noite.

E talvez este seja o problema, conforme o #OxeRecife já havia advertido aqui. A iluminação cênica valoriza as estruturas de ferro da Ponte, porém deixa quase às escuras as suas laterais, que são destinadas aos pedestres. E foi justamente nesse local mais escuro que desapareceu um pedaço  de tubo de ferro e latão. O que não é novidade. Começa-se assim. Tira-se um pedaço, ninguém faz nada, depois furta-se outro e quando se vê… já sumiu tudo. Inclusive já ocorreu antes, fato por nós aqui noticiado. Na mesma ponte.

Depois de restaurada, pintada e ganhar iluminação cênica, Ponte da Boa Vista começa a ser pilhada. De novo. (GP)

O curioso é que após a reforma, a Ponte da Boa Vista recebeu dispositivos em sua parte superior que lembram câmeras de segurança. O que teoricamente poderia proteger o patrimônio público. O #OxeRecife tentou saber de quem colocou o eventual sistema de segurança na Ponte. A Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb) informou que a colocação dos  equipamentos não é de sua responsabilidade. “Não trabalhamos com segurança”, segundo a assessoria de imprensa do órgão.

Mistério: Quem colocou câmeras de monitoramento na Ponte da Boa Vista que nesta semana voltou a ser pilhada? (GP)

A Secretaria de Defesa Social do estado também foi consultada, e informou que não colocou lá nenhuma câmara de segurança na Ponte da Boa Vista. O #OxeRecife tentou a informação junto à CTTU para saber se os equipamentos seriam utilizados para fiscalização do trânsito, mas não obteve resposta até o momento. Ou seja, a colocação do sistema de monitoramento na ponte é um mistério.

Em 2019, onze metros  de tubos de latão e ferro foram roubados da Ponte, o que rendeu prejuízo de R$ 22 mil à época, para os cofres públicos. O que não teria ocorrido, se nossos monumentos contassem com sistema eficiente de segurança e monitoramento o que é mais do que necessário, em uma cidade onde os vândalos dão prejuízos anuais superiores a  R$ 2 milhões. Aliás, esse é o número oficial.  Porque o real é maior do que isso. Basta checar o total de dinheiro público a ser utilizado na recomposição do Parque de Esculturas Francisco Brennand, que fica em frente ao Marco Zero. Só ali, onde 65 das 79 esculturas doadas pelo artista foram roubadas, serão investidos R$ 5, 5 milhões para a confecção e recolocação das obras de arte.

Então, o que se gasta com o vandalismo é bem maior do que se imagina. Porém esse prejuízo poderia ser bem menor, se as autoridades se preocupassem mais com o patrimônio público do Recife. O caso  do Parque é exemplar, pois entre as peças roubadas havia algumas de grandes dimensões, como a Serpente, que tinha mais de 20 metros de comprimento. Então, não foi um furtinho qualquer, que ocorreu nas barbas da Prefeitura.

Ou seja, alguma coisa está errada. E não é só o cálculo do prejuízo com o vandalismo não….

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Genival Paparazzi/ Cortesia e Letícia Lins / #OxeRecife

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