Depois de arboricídio em massa, Aena acusada de poluir córrego no IPSEP

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Já está no tempo das empresas se preocuparem não só com o vil metal, mais também com a natureza e, em consequência, com o cidadão. Está fedendo, literalmente, esse despejo de combustível usado em aviação no chamado Córrego da Malária, no bairro do IPSEP, Zona Sul do Recife. Feio para a Aena, que desde 2020 responde pela gestão do Aeroporto dos Guararapes e a quem caberia zelar não só pela gestão do terminal mas também impor regras aos seus fornecedores para evitar incidentes como esse, que contaminou mais ainda as águas já normalmente poluídas (de esgoto doméstico) do riacho. Em janeiro de 2024, a empresa transformou a Avenida Mascarenhas de Morais (que dá acesso ao Aeroporto) em um cemitério de árvores. Até hoje não se sabe onde e como foi feita a compensação.

Seria bom que empresas estrangeiras respeitassem a natureza onde atuam e se inspirassem na legislação nos países de origem. Na Espanha, derrubar uma árvore – dependendo da espécie, da idade, etc – pode implicar em multa de milhares de euros. Já poluir rios e riachos rende punições severas via sistema poluidor/pagador. Poluiu, paga multa e ainda tem que restaurar o meio ambiente danificado. Maior operadora aeroportuária do mundo, a Aena deveria lembrar das restrições e punições que enfrentaria eu seu país de origem, a Espanha, em caso de arboricídio coletivo ou de contaminação de rios. E o Brasil, no caso Pernambuco, precisa ser enérgico com esse tipo de abuso.

Não é a primeira vez que a Aena dá um mau exemplo. Vocês lembram do arboricídio em massa cometido na Avenida Mascarenhas de Morais, mais conhecida como Imbiribeira, quando 29 árvores foram vítimas de arboricídio? O fato inclusive foi denunciado aqui no #OxeRecife e em outros veículos como o Marco Zero Conteúdo. Após dizer que a fiscalização no córrego deveria ser feita pelas autoridades municipais, a Agência Estadual do Meio Ambiente (CPRH) enviou equipes ao local, que confirmaram “o vazamento de material químico  – aparentemente querosene de aviação – do Complexo Aeroportuário do Recife”. De acordo com a CPRH, foram recolhidos 47 animais, dos quais 35 morreram. Morte sofrida e sufocante, coitados…

“Outros doze,  bastante debilitados, estão em tratamento no Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres – Cetras Tangara”, que é administrado pela CPRH. Os animis eram quelônios, em sua maioria (cágados). Amostras de água do córrego foram coletadas, mas os resultados devem ficar prontas em quinze dias.

A CPRH informou que “vai autuar a Aena, administradora do Aeroporto como a empresa responsável pelo pool de abastecimento por contaminação do corpo hídrico e degradação contra a fauna”. De acordo ainda com a Agência, outras medidas serão avaliadas com multa, “após o resultado da análise da água bem como a contagem final dos animais resgatados, mortos e recuperados”.

Alguém sabe dizer se a Aena foi multada pelas 29 degolas da Imbiribeira, em 2024? Não, não foi. Porque a ação da motosserra insana foi autorizada pela inoperante Secretaria do Meio Ambiente e Sustentabllidade do Recife. Ou seja, a Prefeitura liberou geral a matança de árvores. Mas “condicionou” o arboricídio coletivo ao “plantio de 58 árvores”.  Alguém sabe dizer onde, como, quando foi feita essa compensação? Quantas unidades sobreviveram? Com a palavra a Aena e a Prefeitura do Recife, que também não é um primor, quando o assunto é preservação do patrimônio verde da cidade.

Em Janeiro de 2024, arboricidio coletivo na Imbiribeira chocou a população do Recife: 29 degolas na via (MZ)

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: CPRH e Marco Zero Conteúdo (Acervo #OxeRecife)

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