Estou saindo da pior gripe que já tive na vida. Basta dizer que, há pelo menos seis décadas, não tinha febre. E nesta, eu tive. Soube que é herança do carnaval, que as Upas estão cheias, as emergências de hospitais particulares, idem. E conheço até gente que tem parente que foi parar em UTI. E quando a gripe vem forte assim, ou você é bem medicado ou então corre o risco de ter bronquite, pneumonia…
Para evitar o pior, mesmo sendo um final de semana, o meu médico, Paulo Barreto Campelo, reforçou a medicação, me receitando um antibiótico poderoso. Deixou na portaria do prédio onde reside. Passei lá no sábado pela manhã, peguei a receita, e corri para a farmácia. Clínico e pneumologista, ele é há pelo menos três décadas, o médico da família. E em que eu posso confiar, quando o assunto é saúde. Pois bem. Chego na farmácia de um grande e famoso supermercado da Zona Norte da Capital. E apresento a receita no balcão. “Esse remédio é caríssimo, uns R$ 600”, disse-me o vendedor. “Como, R$ 600 se só são seis comprimidos?”, indaguei. “Deixa eu ver aqui”, diz ele, consultando o computador. “Ah, eu me enganei. É R$ 350”, disse o irresponsável.
“Moço, me perdoe, mas vou ali na concorrente, a Farmácia Pague Menos, ver o preço lá”, argumentei. Pois o cínico consulta de novo a tela do computador e diz: “Lá é R$ 319 o mesmo medicamento, a gente vende por R$ 320”. Pior, o vendedor estava agindo de má fé. O preço da concorrente que ele disse ter consultado era F-A-L-S-O. Aí, ele ainda vem com mais um absurdo: esse medicamento que o seu doutor passou não existe nessa dosagem, 750 miligramas, mas 75”, afirmou. Eu já tinha me irritado com a falta de profissionalismo, puxei a receita da mão do cara de forma ríspida mesmo e mal educada, e fui embora. Como se não bastassem a empurroterapia, as sugestões nos balcões das farmácias para substituir um remédio por outro, ainda me aparece um vendedor querendo saber mais do que o médico. E, pior, empurrar um remédio com uma dosagem dez vezes menor do que a recomendada.
Fui, depois, na Pague Menos mais próxima, e comprei o remédio. Moral da história: o preço era R$ 117. E na dosagem recomendada pelo médico, que o outro balconista que “não existe”. Todo cuidado, portanto, é pouco na hora de entrar em uma farmácia. Eu não informo aqui o nome da loja onde o moleque trabalha, para evitar processo, essas coisas, até porque a única testemunha do caso foi um coleguinha do irresponsável em questão.

E como não gravei a cena, não seria ingênua de fazer qualquer tipo de acusação sem a prova mínima. Mas podem escrever. Vou imprimir esse texto e deixar um bilhetinho lá para o Gerente: “Tudo isso aconteceu comigo, aqui, na sua loja”. Nem precisou tanto. Voltei ao local e informei o ocorrido ao gerente, tão jovem e aparentemente com pouca experiência quanto o moleque que me atendeu. O Departamento de Pessoal das farmácias precisam ter mais critério, na hora se selecionar seus funcionários. Ainda mais em um ambiente onde o que está em jogo é a saúde das pessoas e qualquer descuido na hora de trocar um remédio por outro pode ser fatal.
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Texto e foto: Letícia Lins / #OxeRecife
