Conceição das Crioulas ancora no Poço das Artes, com confecções que contam a sua história

Encravada no meio da  caatinga, no município de Salgueiro – a 550 quilômetros do Recife – a Comunidade Quilombola Conceição das Crioulas vem marcando presença em vários eventos no estado, inclusive aqueles de grande porte, como as edições da Fenearte, onde moradores e moradoras exibem e vendem suas criativas peças de artesanato. Na quinta-feira (5/10), suas artesãs marcam voltam à capital pernambucana para o lançamento da Coleção História de Conceição das Crioulas, na qual fazem referência às próprias origens. Será a a partir das 17h, elas voltam à capital pernambucana, para expor seus produtos no Poço das Artes, que fica na Rua Álvaro Macedo, 54, no Poço da Panela.

Ou seja, chegam com peças artesanais e confecções, com looks que contam a história da comunidade, através de bordados em saias, blusas e outras peças do vestuário. Também trazem acessórios, bolsas, mel e doces que produzem em Salgueiro. A iniciativa resulta de parceria o  Espaço Feminista, que trabalha sempre para aproximar o rural e o urbano. Maria de Lourdes da Silva, a Lourdinha, é uma das mulheres à frente da produção de roupas, inspiradas na  estética ancestral da própria comunidade. Geralmente em algodão, as roupas possuem bordados que recriam a flora, a fauna da região ou símbolos culturais do grupo e do Sertão.

Poço das Artes: Bordado estilizado se inspira na flora sertaneja nos looks das artesãs de Conceição das Crioulas, 

As confecções começaram a ser produzidas pelo grupo, sobretudo no interesse de preservação da cultura local. Algumas peças trazem bordados sobre os manuscritos de mulheres da comunidade, que reforçam a identidade do local e também valorizam a história do lugar.  Conceição das Crioulas é famosa, também, pela sua produção de bonecas em palha, que são tidas como símbolos de resistência. No século 19, várias mulheres produziam fibras a partir de plantas locais e chegavam a percorrer 90 quilômetros para vender em cidades vizinhasa. Com o dinheiro, compraram um pedaço de terra, onde passaram a morar em 1802. Mas o reconhecimento como comunidade quilombola só viria em 2000, após muita mobilização e idas e vindas junto à burocracia governamental.

As bonecas e o artesanato ganharam reforço a partir de um projeto de extensão do Laboratório do Imaginário, da Universidade Federal de Pernambuco, através do qual designers orientavam quilombolas na criação de produtos que pudessem ter valor agregado. O artesanato e as confecções participam de feiras que ocorrem no Brasil. Iniciada no século 19 e com história de lutas, Conceição das Crioulas em 2002 ganhou o I Prêmio Banco Mundial com Cidadania, em Encontro de Experiências Sociais Inovadoras, realizado em Brasília. Com maior visibilidade, o grupo foi convidado a expor seu artesanato na Itália.   A comunidade tem histórico de resistência liderado por mulheres, que lutaram pelo acesso à terra e pelo reconhecimento.

Abaixo, você confere outras iniciativas do Poço das Artes.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Divulgação

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