Com trabalho, índice de reincidência entre ex-presidiários cai para um por cento

Sair da cadeia e voltar à vida normal não é fácil. Achar emprego, pior ainda. Pois os eventuais empregadores batem logo a porta na cara do candidato a trabalhar na empresa, quando sabem que ele  é egresso do sistema penitenciário. Então, a melhor opção é dar ferramentas para que os  educandos possam se virar após cumprimento das respectivas penas. Segundo a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, o índice de reincidência fica em um por cento, quando o ex presidiário é inserido no mercado de trabalho. Então, seria muito bom que todos tivessem ocupação, remuneração.

Infelizmente não são muitos os que têm essa chance. Mas de vez em quando acontece. Pois temos apenados até cursando universidade. Em 2021, tivemos os dois primeiros reeducandos do sistema penitenciário que receberam diplomas de curso em nível superior. Naquele mesmo ano, 29 foram matriculados em cursos universitários. E passaram a estudar enquanto cumprem suas penas. Nesta semana, oitenta reeducandos (já em regime aberto e livramento condicional) receberam certificados de conclusão de cursos em mecânica de moto e de eletricista. Ou seja, se não arranjarem um emprego formal, poderão se virar com o que aprenderam.

É o segundo grupo de 80 a fazer cursos profissionalizantes. O primeiro habilitou-se em confeitaria (bolos e tortas) e também em encanação. O secretário de Justiça e Direitos Humanos, Marcelo Canuto, prestigiou a cerimônia, juntamente com a secretária-executiva de Justiça e Promoção dos Direitos do Consumidor, Mariana Pontual. “Vamos lutar para ampliar as oportunidades de educação para detentos e ex-detentos. Se vocês deram certo, certamente outros darão, assim, a sociedade pode ter um novo olhar. Temos que resgatar a cidadania e vocês têm toda legitimidade de direito de ter uma vida nova”, afirmou Canuto.

Os cursos, com carga horária de 60 horas aulas, têm a finalidade de preparar esse público para o retorno ao mercado de trabalho, contribuindo para a diminuição da reincidência criminal, que entre os reeducandos com atividade remunerada, fica em 1%, segundo o governo estadual. A promoção dos cursos de mecânica e eletricista foi do Patronato, através de emendas parlamentares, em parceria com a Associação Pernambucana de Mulheres em Defesa da Cidadania (APMDC). Estiveram presentes na ocasião o superintendente do Patronato, Josafá Reis; a deputada estadual Dulcicleide Amorim; o ex-prefeito de Petrolina, Odacy Amorim; a representante da APMDC, Silvana Silvana Souza; professores dos dois cursos e equipe do Patronato. Os participantes receberam material didático, uniforme, certificado e um kit de trabalho, doado pela Instituição Suíça, Advent Stifitung, parceria do Patronato Penitenciário.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Surama Negromonte/SJDH

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