Pensem em uma coisa chata: feriado sem praia. E foi chuva durante todo o feriadão. Mas três coisas me chamaram a atenção: as baronesas no Rio Capibaribe, a revoada dos cupins e o reaparecimento das tanajuras. Lembram delas?
As baronesas me remeteram ao período da minha infância e início da adolescência. Lembro que quando o Capibaribe ficava com a água coberta por essa vegetação, a população do Recife entrava em estado de alerta. Era sinal que chovera muito nas cabeceiras do rio. E, sendo assim, todos tinham que se prevenir da chegada de uma “cheia”, como se chamavam as enchentes naquela época.

Já os cupins, apareceram em revoada, em grandes quantidades. No bairro onde moro, Apipucos, eram nuvens deles, na última quinta-feira. Me parece que na temporada invernosa eles voam para acasalar. Penso que muitos morrem, porque o que sobrou de asa sem o inseto pelo chão das calçadas, garagens, residências. Um horror. E o medo desses insetos se enfiarem nas madeiras de nossas casas… Dá até arrepios, pois convivo sempre com eles, aqui na Zona Norte, onde restam algumas matas.
Mas o mais divertido, mesmo, foi o ressurgimento das tanajuras. No inverno passado, elas não apareceram com a intensidade desse ano. Aqui na Zona Norte, foi uma festa. Meu filho. Thiago, saía do Parque da Macaxeira (onde foi correr) e espantou-se com a quantidade de pessoas olhando para cima. Descobriu, logo em seguida, que eram caçadores de tanajuras. Tinha gente enchendo garrafas. Apesar do Brasil não ter tradição de comer inseto (ao contrário do que ocorre na China, por exemplo), essa formiga é muito apreciada. As pessoas comem com farinha, cuscuz, assada na manteiga. “Teve um ano que cacei tantas, que levei para casa em sacos, até guardei na geladeira e comi tanajura a semana inteira”, contou o auxiliar de serviços gerais José Fernando Pereira. “E é caro”. Soube, depois, pelo jardineiro do meu vizinho, que uma garrafa pet, cheia do inseto, custa caro: R$ 150. Ou seja, formiga virou dinheiro para muita gente. Como latinha de cerveja, que se acha no meio da rua.
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Texto : Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Letícia Lins e reprodução da Internet
