Centenário: Moacir Santos é tema de calendário musical da Cepe

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Tem gente que hoje só olha as datas nos meios digitais. No passado, todo mundo tinha sua “Folhinha”, como a gente chamava aqueles calendários de parede que informam o santo do dia. Mas hoje, em pleno século 21, ainda há quem que não dispense um calendário tradicional, de papel. E se for daqueles, criados no capricho, aí é que tem quem não dispense mesmo. Há calendários, no entanto, que viram peças de colecionador, como os que são produzidos pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe). E o de 2026 vem com uma novidade: QR Code que remete à música do homenageado do ano. E que tem a ver com álbuns como “Choros e Alegria” e “Ouro Negro”, mundialmente aclamados. E aí, qual o seu palpite sobre o homenageado?

Ele nasceu em Flores (no Sertão do Pajeú, Pernambuco). E teve uma bela trajetória no mundo musical. Seu  nome: Moacir Santos (1926-2006). Compositor, arranjador, maestro e multi-instrumentista, ele tem o centenário de nascimento comemorado este ano. Menino negro, órfão, pobre e negligenciado, construiu uma carreira estelar respeitada no Brasil e internacionalmente. Mestre do jazz e do afrojazz, foi professor e referência para gerações de músicos, como Wynton Marsalis (que o definiu como o “Duke Ellington brasileiro”), Baden Powell, Paulo Moura, Sérgio Mendes, Vinícius de Moraes (que pediu sua benção em Samba da Bênção), entre tantos outros. A música sempre acompanhou Moacir Santos. Muito pequeno, retirava sons de instrumentos que inventava. Aos 14 anos, sem perspectiva e cansado dos maus tratos sofridos pela família adotiva, foge de casa e percorre o Nordeste tocando em bandas. Chega ao Rio de Janeiro em 1948, onde trabalha na Rádio Nacional (o único maestro negro).

Também atua em gravadoras, estuda composição com Guerra-Peixe, e participa de vários discos de Bossa Nova. Em 1967, migra para os Estados Unidos onde ganhou projeção compondo para trilhas sonoras de cinema e televisão, gravando discos e integrando a equipe de grandes maestros, como Henry Mancini e Lalo Schiffrin.

Morreu em 2006, aos  80 anos, em Pasadena ( Califórnia), onde vivia com a mulher, o filho e netos. Ainda em 2026, a Cepe  prepara a reedição do livro “Moacir Santos, ou os caminhos de um músico brasileiro”,  da flautista e pesquisadora Andrea Ernest Dias. Lançado em 2016 em coedição com a Folha Seca, está esgotado há mais de três anos.  O calendário “A Música & A Imagem”,  que presta homenagem a Moacir Santos, já está à venda, em duas versões: de mesa (R$ 30) e de parede (R$60). A publicação conta com imagens dos fotógrafos Leopoldo Conrado Nunes (também curador do projeto), Daniela Nader, Hélia Scheppa, Heudes Regis, Ricardo Labastier e Roberta Guimarães. “Tive o privilégio de conhecer Moacir Santos na gravação do álbum Ouro Negro (2001) e o considero um dos pilares da música brasileira, assim como Tom Jobim e Pixinguinha. Precisamos falar mais sobre Moacir”, destaca Leopoldo Conrado. Cada fotógrafo assina as imagens de dois meses. Um novo recurso proposto pelo calendário é trazer, em cada página, um QR Code.

O QR Code   é aplicado que remete a uma música composta por Moacir Santos. Escolhidas pelos profissionais convidados, as composições inspiraram suas produções e chega com o objetivo de apresentar a obra de Moacir Santos para quem não a conhece. Nos links abaixo, informações sobre calendário e um vídeo com Coisa N 4, de Moacir Santos.

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Serviço:
Calendário de parede : R$ 60,00
Calendário de mesa: R$ 30,00
Em compras acima de R$ 250,00 – Calendário de parede grátis
Em compras acima de R$ 100,00 – Calendário de mesa grátis
Onde comprar:
Livrarias da Cepe Editora (Mercado Eufrásio Barbosa, Museu do Estado de Pernambuco, Centro de Artesanato de Pernambuco e sede da empresa, em Santo Amaro).

Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Daniela Nader e Leopoldo Conrado / Cepe

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Um comentário

  1. Merecida e brilhante homenagem ao genial compositor/instrumentista/arranjador Moacir Santos.
    O fotógrafo Leopoldo Conrado tem razão: precisamos falar mais de Moacir Santos.O Brasil precisa valorizar os seus grandes artistas,muitos esquecidos, sem qualquer reconhecimento.
    Celeiro de nomes como Jobim,Pixinguinha,Vinicius,Noel Rosa,Baden Powell,Cartola,Rafael Rabelo,Paulinho da Viola,Djavan e tsntos outros mais,,o Brasil hoje vive um panorama musical de extrema pobreza potencializado pelos ritmos deploráveis dos sertanejos,piseiros,bregueiros e outros mais de gostos tão duvidosos que doem na alma.
    Aplausos para todos os envolvidos nesse belíssimo trabalho em homenagem ao Moacir Santos.Um presente para todos que apreciam a grande música.

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