Cemitérios cuidados por reeducandos do sistema penitenciário

Visitar cemitérios já não é fácil. Até porque eles evocam tristezas, entes queridos perdidos. Em alguns locais – como no México – o Dia de Finados é uma festa tão alegre e colorida, que é até atração turística. No Brasil é, sim, uma data triste, onde as pessoas lembram seus mortos, depositando flores ou visitando os túmulos. Em tempos de pandemia, aqueles locais ficam ainda mais sombrios. No Recife, medidas de segurança sanitária vão ser adotadas nesse 2 de novembro, como a obrigatoriedade do uso de máscaras e disponibilização de álcool gel para os visitantes (embora, muita gente, como é o meu caso, ande sempre com o  produto na bolsa ou no bolso).

O que muita gente não sabe, é que a  preparação dos cemitérios para o Dia de Finados contou no Recife com a ajuda de mão de obra de reeducandos do sistema penitenciário do estado. Ao todo, 82  apenados que já se encontram em sistema de regime aberto trabalharam para que os cemitérios estejam em condições de receber os visitantes. São 65 homens e17 mulheres que prestam serviços nos cemitérios de Santo Amaro, Várzea, Casa Amarela, Parque das Flores e Tejipió. Os cinco pertencem ao município, e o trabalho dos reeducandos decorre de parceria entrea Secretaria de Justiça e Direitos Humanos e a Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb).

Sessenta e sete egressos são responsáveis pela varrição, limpeza, capinação, pintura e jardinagem. Já para as atividades administrativas, como atendimento ao público, as necrópoles contam com 15 reeducandos, a maior parte do sexo feminino. O grupo é acompanhado pelo Patronato Penitenciário, órgão de execução penal da SJDH, que, além de viabilizar vagas de trabalho e cursos profissionalizantes, oferece assistência psicossocial e jurídica.

Para a reeducanda Cássia Fernandes, de 33 anos, que colabora no administrativo do cemitério de Santo Amaro, o trabalho surge como uma nova chance. “É uma forma de me reintegrar na sociedade. O pessoal aqui não tem preconceito, sou tratada como igual”, finaliza.  Atualmente, cerca de 1.200 reeducandos do regime aberto estão trabalhando em Pernambuco. Eles são remunerados com um salário mínimo, alimentação e transporte, conforme a Lei de Execuções Penais.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto:  Divulgação

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