Grupo “Caminhadas Domingueiras” faz o mesmo percurso do Riacho do Cavouco: da nascente à foz

No Dia Mundial dos Rios, uma notícia triste, no Recife. É que o Laguinho do Cavouco está secando, como vocês podem observar na foto acima. Na última vez que estive às suas margens, havia água, patinhos nadando e vegetação generosa no seu entorno. Mas confesso que a paisagem atual me pareceu assustadora. A sua antes graciosa lâmina d´água sumiu. O que resta é um fiozinho que quase não se vê. Ao invés das aves, o que havia no local antes tomado pelo lago, nesse domingo, eram equinos usando como pasto a área tomada por capim.

É que voltei ao local, que fica no campus da Universidade Federal de Pernambuco, durante um  passeio a pé com o Grupo Caminhadas Domingueiras, que é coordenado pelo urbanista e arquiteto Francisco Cunha. O tema do percurso, nesse 24 de setembro, foi justamente “Riacho do Cavouco, da Nascente à Foz – O atribulado trajeto de um dos poucos cursos d´água sobreviventes na planície do Recife”. E bota sobrevivente nisso, pois – como se sabe – praticamente todos os riachos do Recife se transformaram em canais que hoje funcionam como esgotos a céu aberto. São mais de cem. O caso do Cavouco não é exceção, porém ele serpenteia vários barros, aos trancos e barrancos, mas. pelo menos, serpenteia.

Não foi sufocando com asfalto nem cimento, como costuma acontecer não só no Recife como em outras capitais brasileiras, como Salvador. Já o chamado “laguinho” onde a água está secando, é exatamente a sua foz. Pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco acreditam que a água do “laguinho” estaria sendo desviada, de forma clandestina para abastecer alguns empreendimentos da região, incluindo os que funcionam como lava-jatos. O riacho nasce junto ao Colégio de Aplicação da UFPE. Depois, corre vários bairros, como Várzea, Engenho do Meio, Cordeiro, Caxangá, Iputinga, onde deságua no Rio Capibaribe. Em alguns trechos ele permanece com a feição original. E em outros é canalizado, passando inclusive sob o prédio da antiga sede da Sudene.  Mas sempre poluído. Ao todo, percorremos seis quilômetros por vários bairros, trilhando os seus caminhos. E, assim, vimos várias faceus do Riacho.

Estudo realizado por pesquisadores da UFPE – Letícia Rocha Santana, Joelmir Marques da Silva e Onilda Gomes Bezerra – mostra que a paisagem ao longo do percurso do Cavouco pode ser dividida em cinco tipos: paisagem símbolo, paisagem degradada, obsoleta, paisagem respiro, e paisagem urbanizada.
A primeira é justamente a nascente, com a qual a comunidade mantém relação afetiva (embora sua água esteja sumindo). A degradada é aquele trecho onde mais sofre por conta de dejetos derramados e falta de educação ambiental da população (na Várzea, por exemplo). Os trechos obsoletos são aqueles – inclusive que passam pelo próprio campus da UFPE – que não se mostram  nada convidativos. Há, ainda, o trecho chamado de Paisagem Respiro, que é o mais aprazível, ao lado da pista de Cooper da Ufpe. Por fim, o urbanizado, que corta o bairro da Iputinga. Ao chegar no  Capibaribe, o Riacho do Cavouco passa por jardins filtrantes, para que chegue com água mais limpa no Rio. Mas os jardins serão tema para uma outra postagem aqui no #OxeRecife. No trabalho da UFPE, os pesquisadores consideram urgente uma intervenção, para salvar o riacho. Mas cadê?

Nos links abaixo, você confere informações sobre caminhadas no Recife. E caso queira saber mais sobre nossos rios e canais (ex-riachos poluídos), o primeiro Link traz uma série de informações sobre o assunto no Leia Também

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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