Baile, frevo e maracatu

Com o pé recém tirado do gesso – mas ainda sem autorização médica para me esbaldar no carnaval – fui ontem à noite ao Pátio do Terço, só para ver mais uma edição do Baile Perfumado, evento popular que está para a Semana Pré como a Noite dos Tambores Silenciosos para a Segunda-Feira de Carnaval. Infelizmente , em animação, a festa não foi a mesma dos anos anteriores. Apesar da presença de agremiações diversas – maracatus, caboclinhos, clubes de frevo – o Pátio estava totalmente esvaziado, sem aquela vibração que a gente estava acostumado.

A decoração do local também estava pobre demais: só fitinhas coloridas, o que não é bom, já que o Pátio do Terço atrai verdadeira multidão no dia 27, quando os maracatus reverenciam os negros que passaram pelo suplício do cativeiro, até  o século 19. Para o taxista que me trouxe de volta para casa, o esvaziamento do Baile Perfumado tem dois motivos: a crise econômica (“O povo está liso, sem dinheiro”) e o medo da violência (“É só o que a gente vê”). Ele me passa o celular, com gravação de uma vítima do novo golpe da praça: o do Perfume. Mas nem vou falar nele, porque o assunto, aqui é carnaval.

Hoje tem festa para tudo quanto é lado. Além do aniversário (70 anos) da Pitombeira, em Olinda,  há três outras que eu destacaria:  I Love Cafuçu, que se consolidou como a prévia mais irreverente do carnaval recifense.  E haja cafuçus e rariús, no Clube Internacional, a partir das 22h. Na AABB, mais um acerto de marcha do Bloco da Saudade, ao som dos bandolins e flautas, para quem quer reviver o passado. O início do encontro é às 20h.  Outra festa que promete muita animação hoje é o Cassino do Siri, no Clube Português, com início às 22h. Trata-se do já tradicional Baile do Siri na Lata. Para quem prefere os tambores, é só dar uma passadinha na Rua da Moeda, no Recife Antigo, onde a partir das 18h tem ensaio aberto dos maracatus de baque virado. Tanto na Pitombeira quanto no encontro de Maracatus, não precisa pagar nada. É só seguir os cortejos do frevo (em Olinda) ou das alfaias (no Recife).

Texto e foto: Letícia Lins / #OxeRecife

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