Bagunça nas calçadas do Recife

A impressão que dá é que não existe uma legislação, ou uma medida padrão para garantir o tamanho mínimo dos canteiros de árvores nas calçadas do Recife, onde a questão virou uma bagunça. Esta semana, durante minha caminhada encontrei o colega Adalberto Ribeiro, residente na Rua do Futuro. Ele está indignado com a iniciativa de uma conhecida livraria, que cimentou a calçada do seu depósito, praticamente sufocando as raízes das seculares árvores da via.

Calçada recém construída na esquina da Antenor Navarro com Rua do Futuro fechou canteiros: raízes sufocadas.
Calçada recém construída na esquina da Antenor Navarro com Rua do Futuro fechou canteiros: raízes sufocadas.

Quem passar é só olhar. As três plantas ficam na esquina da Rua Antenor Navarro com a do Futuro. Ele não ficou calado. Foi reclamar o direito das raízes das plantas. “Já falei com os responsáveis por essa obra. Pedi que preservasse as raízes mas foi em vão. Do jeito que está, essas árvores estão condenadas à morte, como ocorre com muitas nas nossas calçadas”, desabafa o morador. Ele tem razão. As árvores precisam de canteiros, para expandir suas raízes.

Ali bem pertinho, na Avenida Malaquias, há canteiros espaçosos que garantem a sobrevivência das árvores. Ficam na calçada do Clube AABB. Dá até gosto ver.  Apesar de grandes, eles não impedem a mobilidade das pessoas que utilizam as calçadas, inclusive com espaço de sobra para cadeirantes. Mas dobrou a esquina, pela Rua do Futuro, e a gente já vê outros maus exemplos, com canteiros tão estreitos que condenam as plantas a um crescimento limitado, na calçada defronte à denunciada por Ribeiro. E em consequência, a sombras menores do que as necessárias,   para ciclistas e pedestres.

Bem perto da Rua do Futuro, na Avenida Malaquias, calçada da AABB tem canteiros e espaço até para cadeirantes.
Bem perto da Rua do Futuro, na Avenida Malaquias, calçada da AABB tem canteiros e espaço até para cadeirantes.

“Eu, como você, vivo indignado com o que estão fazendo com as árvores das nossas ruas, parques e praças”, reclama Adalberto. Ele se queixa da falta de pessoal especializado em fitossanidade na Emlurb, órgão que cuida das plantas do Recife. “As árvores são atacadas por pragas e não são tratadas. Quando o socorro chega, é para acabar com elas”, reclama. Para Adalberto, o alto índice de morte de mudas ocorre porque as que são colocadas em ruas e praças são muito jovens. “Nos Estados Unidos, as árvores plantadas em áreas públicas já são quase adultas”. Ontem o #OxeRecife mostrou mais uma árvore decepada no Recife, dessa vez na Souto Filho, mas conhecida como Praça dos Cachorros, que fica em frente ao Parque da Jaqueira, no meio da Rua Hoel Sette.

Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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