Sinceramente, com a bagunça que virou a política de arborização do Recife – toco na rua é o que não falta – tem muita gente por aí se sentindo no direito de guilhotinar as árvores, até mesmo quando ficam em calçadas, como ocorreu recentemente nos bairros do Espinheiro e em Boa Viagem. É preciso ficar atento, para que não aumentem os números do arboricídio.
No Espinheiro, uma seguradora eliminou uma mangueira depois de sacrificá-la com injeções de veneno., no mês de outubro. Muitas pessoas não gostam de mangueiras, porque os frutos danificam a pintura e lataria dos automóveis. Já no bairro da Zona Sul, um salão de beleza se achou no direito de matar uma árvore, para abrir mais uma vaga no seu estacionamento. No Espinheiro, o responsável foi multado por crime ambiental. No segundo caso, nada aconteceu ainda.

Hoje um leitor residente na Rua Feliciano Gomes, no bairro do Derby, me enviou duas fotografias, mostrando que uma árvore adulta, que ele diz ser uma jamaicana, encontra-se sendo constantemente mutilada. Pensei que ela ficasse em área privada, mas de acordo com o leitor, a planta fica em uma calçada. Em espaço público, as árvores têm que ser monitoradas e mantidas pela Prefeitura, através da Emlurb (órgão encarregado da manutenção em ruas, avenidas, parques, jardins).
“A árvore é linda e frondosa, e demora anos para crescer. Pois o proprietário da casa em frente está aos poucos fazendo a poda e guardando os galhos na calçada, conforme o registro”, informa. E acrescenta: “Até que o golpe final aconteça”. É. Se ninguém reclamar ou multar, a árvore vai embora mesmo. Os vizinhos devem ficar atentos e comunicar o caso à Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Recife, órgão que aplicou a devida multa no caso da árvore assassinada no Espinheiro. Se todo mundo podar ou guilhotinar as árvores que ficam no meio da rua, o arboricídio pode se agravar.
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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto de leitor / Cortesia
