As aventuras do diplomata chamado Richard Burton, no Brasil do século 19

Quando se fala em Richard Burton, a lembrança que aparece na nossa mente é a do ator inglês (1925-1984), que conquistou o coração de uma das atrizes mais cobiçadas do século passado, Elizabeth Taylor (1932-2011). E que com ela estrelou filmes como Cleópatra, Ana dos Mil Dias, O Homem que veio de longe, Dr. Fausto, Adeus às Ilusões, Quem tem medo de Virgínia Woolf. Poucas pessoas, no entanto, sabem de um outro Burton, que viveu no nosso  paísl no século 19. No caso, Richard Francis Burton (1821-1890).

Ele foi Cônsul no Brasil de 1865 a 1869, em Santos (SP). Falava mais de 20 idiomas, era geógrafo, mineralogista, antropólogo e agente secreto do império britânico. No exercício da função, fez uma viagem exploratória pelo Brasil, com saída do Rio de Janeiro e passagens por Minas Gerais e Bahia, inclusive a cidades banhadas pelo Rio São Francisco (foto).  É a partir da visita do cônsul à cidade mineira de Januária (à margem do Velho Chico), que o jornalista e roteirista Eliezer Moreira escreveu Crônica da Passagem do Inglês, novo título da Cepe Editora, a ser lançado nessa quinta-feira (11/7), na Livraria Travessa, no Rio de Janeiro. Haverá bate-papo do autor com o poeta, crítico, ensaísta e editor Alexei Bueno, das 19h às 22h.

“Os estudos sobre religião e costumes de povos do Oriente, da Índia, África e outros países fazem dele ainda um etnógrafo, interessado particularmente em costumes sexuais”, informa o jornalista que mistura realidade e ficção no seu livro, cujo foco central é um triângulo amoroso. O triângulo envolve: Quirina, uma negra escravizada e defensora da causa abolicionista; Arcanjo, um negro escravizado e alfabetizado; e Ballard, irlandês que aportou no Brasil e nunca mais voltou para a Europa. A história é narrada por Heleno, um aprendiz de jornalista, mais de cem anos depois da viagem de Richard Burton.

No livro, o jovem inicia a peregrinação em busca de uma crônica perdida sobre os dois dias e meio do cônsul em Januária, de autoria de um morador da cidade ribeirinha. Com a rivalidade pelo amor de Quirina, no Brasil imperial do século 19, o autor transita por várias questões, como o recrutamento forçado de soldados para a Guerra do Paraguai e a extração e exploração de minérios. “Vivi em Januária a infância e a juventude, procurei fazer um retrato fiel da cidade e dos personagens envolvidos na história, mantendo inclusive seus nomes reais. Sob esse aspecto a narrativa chega a ter um tom próximo do memorialismo, e de fato é, em algumas passagens”, declara Eliezer Moreira.

“O romance conta a história do envolvimento do cônsul nos acontecimentos locais, quando a cidade, à beira do Rio São Francisco, se achava sob um clima de conflitos e conflagração nas ruas, provocados pelo recrutamento forçado de ‘voluntários’ para a Guerra do Paraguai. É também uma história de amor, de desejo e de paixões, o que não poderia deixar de ser, em se tratando de um personagem como Richard Burton”, diz o jornalista. O livro tem 244 páginas e os personagens são apresentados a partir das descobertas de Heleno.

Eliezer Moreira é jornalista, escritor e roteirista de cinema e TV. Nasceu em Cocos (BA), cresceu em Januária (MG) e vive no Rio de Janeiro. É também autor dos romances A Pasmaceira (Record/1990, vencedor do Prêmio Graciliano Ramos da União Brasileira de Escritores), Ensaio para o adeus (Patuá/2018) e Olhos Bruxos (Penalux/2019, finalista do Prêmio Jabuti 2020), da novela Florência diante de Deus (Patuá/2015) e do ensaio biográfico Jeanne Bonnot: uma vida entre guerras (Mulheres/2015).

Abaixo, você confere outros livros.

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Serviço
O que: Lançamento de Crônica da Passagem do Inglês
Quando: 11 de julho (quinta-feira)
Hora: Das 19h às 22h
Onde: Livraria da Travessa (Rua Voluntários da Pátria, 97, Botafogo, Rio de Janeiro)
Preço: R$ 70 (impresso) e R$ 35 (e-book)

Texto: Letícia Lins / #OxeRecif
Foto: Acervo #OxeRecife

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