“Armorial 50” mostra trajetória do movimento cultural lançado em 1970 por Ariano Suassuna

 “Armorial 50” mostra trajetória do movimento cultural lançado em 1970 por Ariano Suassuna

Compartilhe nas redes sociais…

Parece que foi ontem.  Mas meio século se passou, desde que o escritor Ariano Suassuna (1927-2014) resolveu reagir à invasão da influência estrangeira na nossa cultura e decidiu lançar o Movimento Armorial, com raízes na música, no teatro, na estética.  Foi em 1970. Para assinalar o universo mágico  idealizado pelo autor de “A Pedra do Reino” – e que se inspira em elementos da cultura popular para conceber obras eruditas em diversas linguagens artísticas –chega ao Museu do Estado de Pernambuco a exposição Armorial 50.  A expô começa no dia 18 de outubro e se estende até 7 de janeiro. A mostra já passou por Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília,  onde atraiu público de 250 mil pessoas. E  fez um sucesso estrondoso na Paraíba, sendo visitada por 35 mil em Campina Grande, cidade localizada a 126 quilômetros de João Pessoa.

A mostra conta, ainda, com uma série de encontros musicais e rodas de conversas. O público tem acesso gratuito à programação, através da plataforma Sympla. Os ingressos estão disponíveis para retirada desde o dia 10. A iniciativa foi Idealizada pela produtora Regina Rosa de Godoy, com curadoria de Denise Mattar. E conta com consultoria de bambambãs na área:  Manuel Dantas Suassuna (artista plástico e filho de Ariano) e do professor Carlos Newton Júnior, um dos maiores especialistas na obra do mestre de todos nós. A expô foi pensada como uma celebração aos 50 anos do Movimento Armorial, fundado no Recife, em 1970. Deveria ter sido realizada em 2020, mas entrou no rol das produções que precisaram ser proteladas por conta da pandemia de Covid-19.

A Mostra teve estreia em dezembro de 2021 e seguiu para o público do Sudeste e Centro-Oeste do Brasil até o início de 2023. A vinda para a região onde tudo começou, o Nordeste, foi viabilizada graças ao patrocínio do Ministério da Cultura e da Petrobrás.   “A obra de Ariano Suassuna, de Samico, de Brennand, de Miguel dos Santos e dos muitos artistas que fazem o Movimento Armorial é atemporal e por ser profundamente brasileira, precisa ser cada vez mais difundida em nosso país”, afirma  Regina Rosa Godoy.  Desde o começo, nós queríamos que ela acontecesse no Nordeste – na Paraíba, onde nasceu Ariano, e em Pernambuco, que é o estado onde o movimento foi criado, onde Ariano passou a maior parte da vida. Iniciamos a Mostra em outros estados, mas, a parceria com a Petrobras possibilitou este reencontro com os pernambucanos”.

A chegada a Pernambuco acontece em meio a uma nova onda de buscas pela obra de Ariano Suassuna. Desde o anúncio da produção de O Auto da Compadecida 2, exatamente 23 anos após o lançamento do primeiro longa-metragem, os perfis nas redes sociais que se dedicam a postar trechos das aulas-espetáculos e palestras do escritor passaram a contar com cada vez mais seguidores e “curtidas”. O que sinaliza o surgimento de uma nova geração que está ávida em se aprofundar sobre a obra do paraibano que bebeu do popular para criar peças eruditas e acabou por se transformar em um verdadeiro ícone da cultura pop. Claro!

 Ariano é eterno, é sábio, é pop, é tudo. E empreendeu uma luta quixotesca em defesa da cultura brasileira. Diziam, até, que ele era um “guerrilheiro cultural”, o que muito o agradava. Como repórter, eu o entrevistei muitas vezes. E cada entrevista, era uma aula, uma viagem, uma riqueza, uma diversão. Ou uma imersão ao seu passado, à morte violenta do pai, o seu eterno “rei”.

Na esteira desse momento de efervescência em torno da obra de Ariano, a mostra preparou uma série de celebrações que despertarão ainda mais o interesse pelo Movimento. O dia de abertura da exposição será especial, já que, 53 anos atrás, em 18 de outubro de 1970, o Quinteto Armorial se apresentava na Catedral de São Pedro dos Clérigos, no Pátio de São Pedro, região central do Recife, no concerto que registra o início do movimento. Para celebrar a data, a igreja volta a abrir suas portas para a música armorial, na primeira apresentação dos Encontros Petrobras de Música Armorial, com o espetáculo Concerto para Ariano – 53 anos do Armorial. Dessa vez, o grupo Quinteto da Paraíba, que há 32 anos se dedica a manter acesa a chama da música armorial, assume o palco para executar clássicos da música regional nordestina.

Já o visitante que for ao MEPE poderá conferir 140 obras de artistas importantes para a arte Armorial, como o próprio Ariano, Miguel dos Santos, Francisco Brennand, Gilvan Samico, Aluísio Braga, Zélia Suassuna e Lourdes Magalhães.   Mas não é só.  No MEPE, o público terá a oportunidade de fazer uma imersão no Movimento Armorial através das artes plásticas, da música, da dança, da xilogravura, da literatura de cordel, do cinema e de recortes das aulas espetáculos do mestre Ariano. Em cada espaço da exposição será possível conferir as muitas vertentes da cultura armorial, desde referências da cultura popular que serviram de inspiração para os artistas, até o produto final de suas criações. Um passeio imperdível pelas marcas de uma corrente que se encarregou de apresentar o Brasil real aos brasileiros, em seus mais profundos saberes, sentidos e costumes.  Posteriormente, o #OxeRecife volta ao assunto, por ocasião da abertura da exposição.

Leia  também
Galpão das Artes leva “O peru do cão coxo” de Ariano Suassuna ao Teatro Bianor de Mendonça
Bloco fundador por Ariano Suassuna sai nesse sábado: “Em redor do buraco tudo é beira”
Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, viraópera e vai a três capitais.E Pernambuco?
Estátua de Ariano Suassuna no chão. Vandalismo dá prejuízo anual de R$ 2 milhões
Flávia Suassuna  é eleita e vira imortal
Samico: o Devorador de Estrelas é homenageado em calendário da Cepe
Samico: O Devorador de Estrelas
Cais do Sertão mostra arte de Jota Borges
J.Borges lança três álbuns inéditos
O mundo fantástico de J.Borges
Xilogravura se aprende no Instituto Ricardo Brennand. Vamos lá?
Fechado, Cais do Sertão movimenta programação virtual
Lampião e seu cangaço fashion e social
Lampião, bandido, herói ou história?
No Sertão, na trilha de Lampião
Massacre de Angicos em palco ao ar livre
Duas costureiras e dois maridos: um cangaceiro e um gay
Filme gratuito na Academia Pernambucana de Letras
Livro conta lendas do Sertão
Esgotado, livro “Estrelas de Couro – a Estética do Cangaço” é relançado
Memórias afetivas, praia do Sertão, rendas de bilro e primeiro amor
O Sertão no Coração de Pedra de Carol
No Sertão, na trilha de Lampião

O Sertão no Coração de Pedra de Carol
O bode dançarino do Sertão
É sempre tempo de reisado no Sertão
Missa do Vaqueiro: do Sertão ao Cais
Os misteriosos tabaqueiros do Sertão
Caretas, caiporas e tabaqueiros
Tributo a Altino Alagoano, que não era ele. Era ela: “O viulino do diabo”
O último rei perpétuo de Pernambuco
História: Livro sobre Pau de Colher e Guerra dos Caceteiros mostra messianismo no Sertão Profundo

SERVIÇOS
Mostra Movimento Armorial 50 anos
Museu do Estado de Pernambuco (MEPE), Avenida Rui Barbosa, 960, Graças, Recife-PE

Entre 18 de outubro de 2023 e 7 de janeiro de 2024
Horários de visitação: terça a sexta-feira, das 9h às 17h; sábados e domingos, das 14h às 17h
Quanto: gratuito, mas ingressos devem ser retirados no Sympla. Já estão disponíveis.

Concerto do Quinteto da Paraíba
Dia: 18 de outubro
Horário: 19h
Onde: Igreja de São Pedro dos Clérigos, no Pátio de São Pedro
Quanto: gratuito, mas sujeito à lotação da igreja.

Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Divulgação / Armorial 50

Posts Relacionados

1 Comments

  • Fantástico seu texto Letícia! Seu poder de síntese sobre a obra de Ariano e o movimento armorial são irretocáveis!!
    Os eventos com certeza serão maravilhosos e vale a pena conferir.
    E que honra a sua de poder entrevistar o mestre! Parabéns 👏🏽👏🏽👏🏽👏🏽

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.