Pela primeira vez, não compareci à saída do bloco Escuta Levino, que tradicionalmente se concentra na quinta-feira de carnaval, no entorno da Praça Maciel Pinheiro, de onde sai arrastando uma verdadeira multidão, ao som dos metais do frevo. O grupo Guerreiros do Passo é sua grande atração. Em anos anteriores, os foliões paravam, faziam um círculo o e todo mundo se espremia na multidão para ver as acrobacias dessa turma agora internacionalmente famosa, já que ganhou os holofotes no Festival de Cannes, em maio do ano passado.
Foi uma uma jogada de marketing muito bacana no dia da exibição de “O Agente Secreto”, que arrebatou duas grandes premiações (melhor direção para Kleber Mendonça, e melhor ator para Wagner Moura). Não foi fácil atingir o topo. Durante muitos anos, sem ajuda de ninguém, os Guerreiros do Passo deram – e ainda dão – aulas gratuitas da coreografia do Frevo, na Praça do Hipódromo, aos sábados.

Os Guerreiros fazem, portanto, um até pouco tempo silencioso (e belo) trabalho que não é de hoje. Quando o carnaval se aproxima, é criança, adolescente, adulto, idoso, todo mundo querendo aprender a dançar o mais recifense dos ritmos. E que é considerado Patrimônio Imaterial do Brasil desde 2007, sendo reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco, desde 2012.
Os Guerreiros nunca pararam, mas foi o filme de Kleber Mendonça que os tornou tão famosos, como mereciam. Quando foram vistos em Cannes, chegaram aqui no #OxeRecife alguns comentários (sem noção) reclamando que o que se mostrou na França foi um “frevo pobre” sem fantasias, sem sombrinhas coloridas, sem brilho. Mas quem disse isso, não sabe de nada. Porque o que os Guerreiros fazem é justamente mostrar como era o Frevo original, o “frevor” (fervor) das massas que agitavam o século passado no centro do Recife.
Estão lá o guarda chuva que os capoeiristas das origens usavam como arma para se defender de agressões, os trabalhadores representados, o policial para coibir a “loucura” do passo, tudo como era antigamente. Perdi, em 2026, o espetáculo, porque tive um compromisso familiar. Mas uma amiga, Maria Campos, que esteve lá, me fez inveja:
“Noite gloriosa para os Guerreiros do Passo. Dançaram o frevo no tapete vermelho, em frente à escadaria da Igreja do Santíssimo Sacramento da Boa Vista. Houve uma homenagem do Consulado da França para o Grupo. Me plantei nos degraus do templo e consegui ver a apresentação dos Guerreiros. Foram ovacionaos pelo público. Fizeram evolução do frevo, com capoeira, depois tocou um dobrado e, em seguida, o frevo com direito a muito talco”.
Sim, o talco era muito usado na festa de rua dos carnavais passados. Muito folião chegava branco em casa. Ao navegar pelas redes sociais do cineasta Kleber Mendonça, diretor de O Agente Secreto (e de outras pérolas do cinema nacional), vi que o cineasta considerou “a coisa mais linda” a exibição dos Guerreiros, no meio do Escuta Levino. Contou o diretor:
“O artista francês Didier Zakine trouxe para o Recife um pedaço grande do tapete vermelho descartado pelo Festival de Cannes. O mesmo tapete no qual os Guerreiros se apresentaram em maio do ano passado, na première de O Agente Secreto. Como eu queria ter visto isso de perto!”
E eu, tão perto, e perdi… Coisas da vida. Mas o que importa é a vitória do cinema nacional, a projeção do cinema brasileiro, o tapete vermelho para Os Guerreiros do Passo, e saber que o Frevo – apesar de tudo – está mais vivo do que nunca. Parabéns para a cultura nacional! Os Guerreiros do Passo estarão no sábado, no desfile do Galo da Madrugada. A Prefeitura do Recife informou a “supresa” nessa sexta, anunciando um trio elétrico que presta homenagem ao grupo, ao filme O Agente Secreto e a Kleber Mendonça. O trio terá Orquestra Popular do Recife, Almério e Flaira Ferro. O trio elétrico será o quarto a entrar na avenida, no desfile do Galo.
Mais informações sobre o carnaval, acesse www.oxerecife.com.br
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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Letícia Lins (Acervo #OxeRecife) e redes sociais

Esse ano também não fui ao Escuta Levino,mas vi na TV e foi realmente um momento glorioso!
O frevo autêntico,com os passistas passando todo o fervor do ritmo e muita emoção. Acho tudo bonito nos Guerreiros do passo: coreografia,figurino originalíssimo e o famoso guarda chuva,que acho a identidade do grupo e muito mais charmoso que as sombrinhas coloridas estilizadas e,na minha opinião, sem graça por serem padronizadas e ” feitas pra turistas”.