Alguém chama isso de calçada?

Gente, como é que pode? Vejam só a situação dessa calçada nada cidadã, sobre a qual já falei aqui no #OxeRecife. Fica na Avenida Dezessete de Agosto, em Casa Forte, Zona Norte do Recife. E sábado, por volta das 20h, estava cheia de gente, jovens, em sua maior parte, para uma noite de festa. É verdade que legalmente cabe ao proprietário do imóvel a responsabilidade pela qualidade da calçada. Mas o que é que custa o poder público fiscalizar? O risco é tão grande, que pedestres preferem andar pelo asfalto, dividindo espaço com os automóveis.

A pergunta é: Como se licencia uma casa noturna, com uma calçada dessas? Passei pela manhã nesse local e enquanto eu passava, vi três pedestres caminhando pelo asfalto. Provavelmente com medo de torcer o pé, porque o risco é esse, como já aconteceu comigo em uma calçada assassina, quando precisei imobilizar o tornozelo, depois daquele tombo. Pelo visto, pedestres preferem se arriscar no asfalto, do que no chão irregular, com medo de cair. Vejam só o que diz no parágrafo abaixo, a publicação Dez Mandamentos do Pedestre Recifense, editada pelo Movimento Olhe Pelo Recife – Cidadania a  pé.

Não dá para chamar de calçada, um caminho aterrado com metralhas. Pedestres preferem se arriscar no asfalto.

“Todo pedestre do Recife, na condição de mais de dois terços da população que se locomovem a pé nas cidades brasileiras (1/3 exclusivamente a pé e 1/3 como usuário de transporte público que caminha da origem do trajeto até o ponto da parada do coletivo e do ponto de chegada até seu destino final), tem o direito inalienável de transitar por calçadas acessíveis, desobstruídas, sinalizadas, seguras, visualmente permeadas com os lotes limítrofes,  sombreadas de dia e iluminadas à noite”.

Então? Cadê nosso direito a uma calçada segura, sombreada e iluminada? As árvores que nos davam sombras estão virando tocos, montes de metralhas são chamados de calçadas, e iluminação… nem se fala. No último sábado fiz um passeio noturno com o grupo Caminhadas Domingueiras, mas todos tiveram o maior cuidado. Primeiro, porque a buraqueira nas calçadas  e no asfalto é um risco. E segundo, foi possível perceber como a iluminação das ruas da Zona Norte – por onde andamos – deixam a desejar. Com a violência do jeito que  está, é até temerário andar só à noite. Não dá. Só em grupo grande mesmo. E  advertência era sempre a mesma: “cuidado para não se isolar”, para não ficar à mercê dos “fantasmas” do século 21, como o pessoal do grupo preferiu chamar os assaltantes.

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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