No Brasil, há navegadores internacionalmente conhecidos que fazem do mar uma razão de vida. Alguns são solitários, como Almir Klink. Outros costumam singrar os oceanos em família, como é o caso de Vilfredo Schurmann. O paulista Adelson Carneiro Rodrigues, 60 anos, pertence ao primeiro caso. De passagem pelo Recife, ele está no meio de uma viagem que diz ter sido o sonho de sua vida, que é percorrer a remo o Brasil de Norte a Sul, do Oiapoque ao Chuí. São os dois pontos extremos do país. Somente.

Ele saiu do Amapá em fevereiro de 2020. E se tudo der certo, chega ao Rio Grande do Sul um ano depois. Detalhe: a viagem é toda a bordo de um caiaque oceânico, super equipado como vocês podem observar no vídeo abaixo, que explica parte da empreitada. No final da aventura, ele terá percorrido nada menos de 4 mil milhas. Traduzindo para a linguagem terrestre, seriam 8 mil quilômetros de viagem. Ou seja, uma aventura e tanto. Do Recife, onde troca o equipamento, o aventureiro parte na quinta-feira, dia 22 de julho. Ele nasceu na Ilha de Cananeia. Desde criança é familiarizado com o mar. O pai era pescador. E há 20 anos rema pela costa brasileira, porém travessia tão longa é a primeira da vida dele. E é um feito inédito do gênero no país. A primeira longa viagem com a canoagem foi de São Paulo ao Paraná. Na atual, ele se encantou com as famílias ribeirinhas do Pará, já passou por estados como Maranhão, Rio Grande do Norte e Paraíba. Adelson já protagonizou outras aventuras, segundo consta em seu perfil, nas redes sociais., que relatam sua trajetória.
Nas viagens, ele enfrentou algumas intempéries, como ventos fortes e ondas altas, mas para o atleta a força da mente precisa ser maior do que a dos músculos. No Ceará, recebeu todo apoio pela Marinha, inclusive um aplicativo que dá todas as informações sobre o tempo e as marés. Em Timbau do Sul, no Rio Grande do Norte, recebeu recepção calorosa dos canoeiros daquele estado, onde foi considerado um “irmão” da “família” dos canoeiros locais. Adelson é personal trainer (com certificação ACA American Association), pratica esportes desde 1975, quando iniciou carreira esportiva em natação. Em torneios em águas abertas 5 km, ele é tri campeão (1978, 1979 e 1981). Foi campeão 35 vezes e Aquathlon, tendo participado de 40 provas short,15 olímpicas, três Half Ironman e 44 maratonas. Particpou de provas de natação de longa distância (70 quilômetros no Rio Paraná) e em equipe de Alcatrazes a São Sebastião (40 quilômetros). Também já escalou o Monte Aconcagua, na Argentina.
A aventura, além de documentada nas redes sociais, deverá render um livro, a exemplo do que acontece com outros viajantes solitários, que percorrem mar ou terra em longas jornadas. É o caso, por exemplo, de Filipe Massetti, o “Cavaleiro das Américas”, que percorreu vários países do Continente no seu cavalo. Quem me passou a dica da passagem de Adelson pelo Recife foi Agenor Tenório, companheiro de caminhadas no Grupo MeninXs na Rua, que é entusiasta do remo em caiaque e que pertence a um grupo de remadores. Ele também já organizou alguns passeios com o grupo, a bordo de caiaques. Informa Agenor que, no Recife, Adelson troca seu caiaque por outro, fabricado por Sérgio Hazin, outro amante da atividade. Da nossa cidade, de mar e rio de águas tranquilas, diz Agenor: “Sou testemunha de que o Recife é uma joia desprezada nesse campo”. Pelo visto, é mesmo!
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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos e vídeo: Acervo pessoal de Adelson Rodrigues
