O Brasil já teve muitos verões, ditados por modismos normalmente no Rio de Janeiro, com reflexo e influência em todo o país. Tivemos o Verão da Bossa Nova (1962); o Verão do Fio Dental e Verão da Janis Joplin (1970); o Verão do Emissário (1971), quando a estrutura erguida no mar virou ponto de encontro da contracultura, em Ipanema , com o local sendo chamado de Pier de Ipanema ou Dunas da Gal (a cantora sempre aparecia lá); Verão da Lata (1987),quando milhares de latas com maconha de boa qualidade apareceram boiando no mar. E o Verão do Toplessaço (2013), quando as mulheres decidiram ir à praia só com a peça inferior do biquíni.
Mas se formos observar 2026, parece que estamos vivendo o Verão da Violência, da Exploração e dos Sem Noção.
Há tempo, eu não assistia a tantas cenas de violência no nosso Litoral, de norte a sul do Brasil, envolvendo turistas e barraqueiros. O caso mais famoso ocorreu em Porto de Galinhas, no Litoral Sul de Pernambuco, quando Johnny Andrade e Cleiton Zanatta (de Mato Grosso) foram agredidos por cerca de 20 pessoas, após um desentendimento relativo ao valor cobrado na conta ao casal de turistas, bem superior ao preço combinado, fato que não é incomum à beira-mar. Neste final de semana, amigo aqui do #OxeRecife defrontou-se com preços exorbitantes, também em Porto.

Um grupo com três pessoas voltou a enfrentar preços superfaturados. É o que revela o fotógrafo Genival Paparazzi, que estava com dois amigos. Os três consumiram um prato de camarão (R$ 150), seis cervejas latão (R$10 cada unidade), duas Coca-Colas (R$ 7 cada uma) e uma água (R$ 5). A soma daria R$ 229. Mas o preço cobrado foi R$ 255, sendo que o valor subiria para R$ 275 se fosse pago com cartão. Lembramos que o incidente com os dois turistas de Mato Grosso foi por R$ 30 cobrados a mais.
Também há reclamações quanto aos preços cobrados no Arquipélago de Fernando de Noronha e na Praia dos Carneiros, ambos em Pernambuco. Em Porto de Galinhas, turistas reclamam de “pastel a R$ 150”. Em Camboriú (SC), um dos balneários mais famosos do Brasil, turista se queixa que lhe cobraram R$ 600 em estacionamento. Nas redes sociais, ele diz que quem não tiver R$ 30 ou R$ 40 mil para ir passar fim de semana, passa perrengue. Nas redes sociais, há reclamações – também – nas praias do Rio de Janeiro (principalmente Cabo Frio), Sergipe, Bahia , São Paulo. Em Cabo Frio (RJ) e Guarujá (SP), um prato de peixe na praia está custando entre R$ 450 a R$ 470. Na Praia do Forte (BA), turistas reclamaram que, por duas mesas e dois guarda-sóis, tiveram que pagar R$ 500 de consumação mínima. “Tivemos que gastar essa dinheirama para ter direito a desfrutar da praia com conforto”, reclama uma turista. Os depoimentos foram colhidos nas redes sociais pelo #OxeRecife. Apenas uma pessoa fez elogios a preços cobrados, no caso em João Pessoa, capital da Paraíba. Cenas de violência também foram comuns nas praias, onde a gente vai para relaxar e não para ver tiroteio e mata leão. Além do incidente com o casal de Mato Grosso, Porto de Galinhas protagonizou, nesse final de semana, mais uma cena deplorável.
O turista Rafael Ventura Martins, 32, foi assassinado a tiros, quando estava em um conhecido restaurante daquela praia na madrugada do domingo. A polícia investiga o caso. Em postagens em praias brasileiras, vi até registro de briga entre barraqueiros, com agressões mútuas com pás (daquelas grandes, de pegar areia). E os brasileiros sem noção?
Da passagem do ano para cá, foram mais de 1 mil 100 resgates no mar do Rio de Janeiro, apesar da determinação das autoridades para que as pessoas o evitassem, devido à ressaca e às ondas de até quatro metros. Em Guarajuba (BA), um jovem pegou o carro do pai, em condomínio de luxo, e atropelou dois funcionários que estavam trabalhando. Em pelo menos três praias – Cassino (Pelotas, RS), Jericoacoara (CE) e Salinas (PA) – turistas invadiram a areia com seus “possantes”, a maré subiu e quase leva os carros.
Não sei se todos foram recuperados. Quem já viu a areia da praia ser lugar de carro? O mar veio e queria levar tudo nos três lugares… Essas coisas acontecem em meio ao mar de detritos deixados em nossas praias, na Virada do Ano. Ou seja, comerciantes sem noção, turistas idem e autoridades omissas, a julgar pelo descalabro de preços e outros absurdos que acontecem de Norte a Sul, no nosso Litoral. Em Boa Viagem (Recife), no domingo, o futebol estava correndo solto (com bolas pesadas, risco de acidente); os preços também eram exorbitantes; o som alto (após as 10h); e os barraqueiros sem o mínimo de fiscalização, quando o assunto é descarte do lixo. E consumação mínima sendo cobrada, na maioria das barracas.
Adoro a praia, mas a areia não é casa de mãe joana nem pode virar terra de ninguém. Precisa de controle, fiscalização, preço justo, organização. Se as autoridades se omitem, a tendência é piorar. E o cidadão que se vire para enfrentar a violência e as máfias cada vez mais frequentes da areia.
Leia também
Virada do Recife 2026: “Mar de gente” na Orla Sul. E o mar de lixo?
Procon Recife adverte: cobrança de consumação mínima na praia é ilegal
Boa Viagem: faltam bombeiros salva vidas, policiais militares na orla. Sobra exploração
Boa Viagem: Depois dos donos do asfalto, os donos da areia. Consumação mínima exigida por barraqueiros é proibida. Denuncie
Boa Viagem: Asfalto agora tem dono
Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Genival Paparazzi
Fotos: Genival Paparazzi) / G.F.V Paparazzi / ZAP (81)995218132)/ gfvpaparazzi@gmail.com

Já acho um absurdo a invasão dos barraqueiros, sem deixar espaço para o banhista que quer colocar seu guarda sol e curtir a praia tranquilo.
Mais absurdo ainda é o “monopólio dos barraqueiros ” ,que se acham donos do pedaço e exploram turistas e moradores sem qualquer cerimônia .
Fiscalização zero,prefeitura omissa,parece mesmo “casa da mãe joana”.
Praia privatizada, sem lei ,sem ordem mas alguém lucrando e muito com esse
caos de verão.
Realmente, tá uma afronta os preços cobrados, a falta fiscalização, o lixo…logo quando Recife bate o recorde de voos no Nordeste. Ano de eleição ninguém quer perder votos, Deus tenha piedade de nós.