Bebês fujões: carcará, bem-te-vi e sabiá

Felizmente é cada dia maior a sensibilidade das pessoas para ajudar animais silvestres, embora haja, também, quem queira viver às custas do tráfico dos bichinhos que deveriam ficar na natureza por toda a vida. Mas enquanto uns fazem o mal, outros fazem o bem.  Principalmente  acolhendo as aves que vivem caindo dos ninhos. Só aqui no #OxeRecife, já contamos tantas histórias de coruja, bem-te-vi, sabiá e outras espécies que não conseguiram ficar no abrigo preparado pelos pais. Todos, graças a Deus, tiveram finais felizes.

Agora, o aperreio ficou por conta de um …. carcará (foto superior). A ave caiu do ninho no alto de uma palmeira, no Poço da Panela, Zona Norte do Recife. A comunidade logo se mobilizou e começou se comunicar, via WhatsApp sobre o destino que dar ao filhote.  Ele já estava  emplumado, mas não com suficiente independência para conseguir se virar só na natureza. Foi acompanhado e alimentado, enquanto moradores do bairro trocavam informações entre si, em busca de uma equipe que resgatasse a ave.

A comunidade queria, também, saber como devolver a ave à natureza no momento certo. Por fim foram informados sobre entidades que fazem o resgate e para onde ele deveria ser logo enviado: o Cetas Tangara. O carcará tinha um olho machucado. Ligado à Agência Estadual do Meio Ambiente (Cprh), o Cetas é o órgão oficialmente encarregado de acolher, cuidar, alimentar,  e devolver os animais à natureza. Muitos moradores do Poço já tinham visto o bebê no Jardim Secreto (à margem do Rio Capibaribe) e em condomínios do bairro, até que ele foi abrigado e alimentado pelo morador de em um edifício.

O legal é que nem precisou enviar o bichinho para a Cprh. Um adulto – ninguém sabe se pai ou mãe – veio buscá-lo. E o pequenino voou com ele. Não é lindo?  Na minha casa e também nas proximidades, já convivi com alguns pássaros caídos do ninho, sob ameaça de ataque de predadores animais e humanos, que não hesitam em prender os bichinhos na gaiola. Uns se alimentavam direitinho e conseguiram voar. Outros, trincavam o bico e, temendo que morressem de fome, levei correndo para a Cprh. Alguns desses pássaros me despertaram um afeto muito grande, como Chiquinho (o bem-te-vi da foto abaixo)

O bem-te-vi interagia que era uma beleza. Até parecia um pet. Achei-o na rua, no meio de uma confusão de gente, querendo prender a ave em uma gaiola. Mas eu o resgatei, em nome de sua liberdade. Fofo! À noite, pedia abrigo e eu ia buscá-lo. Parava de piar, quando se aconchegava no meu pescoço. Para não machucá-lo, dormia com ele na rede. Ficava aninhado no meu colo. Felizmente ganhou o mundo. Agora apareceu na minha casa mais uma prole de passarinhos. Dessa vez, sibite. Coisa mais linda. Estão abrigadinhos no próprio ninho, e até o momento não caiu nenhum. Espero que fiquem juntos até o momento certo de ganhar o mundo. Chiquinho era uma ave tão dócil e indefesa que me conquistou.

Outra  vez caiu um filhote de sabiá (foto na esteira). Quando começou a emplumar, ficou muito afoito e pensava que já sabia voar. Só que não ganhava altura, e sozinho, vivia caindo na rua aqui ao lado, correndo o risco de ser apanhado por gato, cachorro ou mesmo um gavião. Eu o colocava no ninho (na minha varanda) e ele pulava de novo, enquanto a mãe não chegava. Resultado: convivemos juntos por um bom tempo.  E eu de olho nele.   Ficava andando pela minha casa, tentando alçar voo. E mãe, todas às tardes, entrava pela cozinha, passava para a  copa e via como ele estava. Uma atitude emocionante, pois a fêmea não se intimidava com a presença das pessoas da casa.

Um dia, ele conseguiu alçar voo mais alto e dois partiram juntos. Voo para comemorar! Pensem numa felicidade!..

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Serviço:
Muitas pessoas não sabem como proceder quando encontram um animal silvestre. Eles devem ser encaminhados Centro de Triagem de Animais Silvestres, Cetas Tangara, que pertence à Agência Estadual de Meio Ambiente. A entrega pode ser feita no próprio Cetas, no KM 8,5 da PE 16, Guabiraba. O telefone do Cetas é (81)31829022. Caso o animal não seja grande, pode ser levado para a sede da própria Cprh, Rua Oliveira Gós, 395, Poço da Panela. É conveniente telefonar antes (81) 32828800 para saber se a equipe de recepção encontra-se no local. Já para resgate, acionar: Cipoma (81) 31811700, 181 ou 190. Também a Brigada Ambiental faz resgate: 33550439 ou 33550440.

Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Letícia Lins (#OxeRecife) e Coletivo Jardim Secreto

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