Ponte Giratória que não gira passará por reforma durante um ano e meio

Uma notícia boa e outra ruim. A boa é que a Ponte 12 de Setembro vai passar por restauração. A ruim é que a também chamada Ponte Giratória (porque girava mesmo) nunca mais será a mesma do passado. Se girasse, teríamos, com certeza mais uma atração turística no Recife. Quantas pessoas não gostariam de ver se mexer aquela obra prima da engenharia, que tanto sucesso fez no século passado?  Imaginem quantos turistas não pousariam para selfies, no momento mágico da movimentação para enviar  suas fotos ao lado da ponte para o mundo.

Infelizmente tudo que restou da ponte original,  são apenas lembranças, fotografias antigas (como a do alto dessa postagem) e pilastras quase submersas. E claro, muita saudade para aqueles que a viam girar. É que a sua estrutura móvel foi substituída para comportar o peso dos automóveis, que sempre têm prioridade para tudo no Recife.  Não importa a memória da cidade.  Em nome do desenvolvimento e do trânsito, já se foram nossos arcos, nossas igrejas centenárias e  a estrutura original da Giratória. A ponte foi construída entre 1920 e 1923. Sua parte central girava para dar passagem aos barcos repletos de mercadorias, que singravam em um Rio Capibaribe ainda navegável. Nos anos 1970, ela ganhou estrutura fixa para comportar o peso do tráfego. Barbaridade…

A partir da década de 1970, a mais curiosa ponte do Recife – a Giratória – ficou fixa para comportar o peso do tráfego.Nesta semana, a Prefeitura do Recife publicou no Diário Oficial do Município licitação no valor de R$ 9.473.411 para recuperação da estrutura que liga a Avenida Alfredo Lisboa e o Cais da Alfândega (Recife Antigo) ao Cais de Santa Rita (no bairro de São José). O processo licitatório deve durar três meses, respeitando os prazos estabelecidos pela Lei de Licitações nº 8.666. A intervenção deverá ser concluída no prazo de 18 meses. A recuperação em  sua parte rodoviária (no tabuleiro da ponte) contará com a execução de 4.502,47m² de concreto projetado para formação de uma capa de concreto armada com tela de aço; reconstituição de aproximadamente sete toneladas de aço da superestrutura; recuperação do guarda-corpo; substituição de 24 aparelhos de apoio, dentre outras intervenções.

Ex-Giratória (mas com o nome preservado nas memórias afetivas do Recife), a hoje fixa Ponte 12 de Setembro tem extensão total de 195,25m com cinco vãos, três deles centrais que medem 41,45m, 43,35m e 41,45m, e vãos de 34m nas extremidades. É formada por um tabuleiro único, contínuo, com seção transversal tipo caixão ao longo de toda a sua extensão, possui transversinas e altura variável em cada apoio. Transversalmente, a ponte tem uma largura total de 22m, ambos os lados contemplam um passeio de pedestres de 3m no lado norte e 2m no lado sul, duas faixas de rolamento em torno de 4,0m e guarda rodas de 0,23m em cada passeio. Em junho deste ano, a Emlurb realizou serviços para recuperação de 253 m² da laje de transição da cabeceira sul da Ponte Giratória. O custo total do serviço foi de R$ 135 mil.

As antigas estruturas daquilo que foi uma ponte Giratória podem ser observadas nas proximidades do Porto do Recife.

A nova intervenção faz parte do programa de recuperação de pontes da cidade que já beneficiou as da Torre, do Derby e a Motocolombó, além das juntas de dilatação de viadutos como os de Joana Bezerra, Via Mangue e da Avenida Norte. A Prefeitura do Recife  informa que vem trabalhando na recuperação de pontes, pontilhões e passarelas da cidade, “com o objetivo de garantir a segurança de quem faz uso desses equipamentos, muitos deles já conhecidos cartões postais da capital do Estado”. Já foi entregue a recuperação estrutural das pontes da Torre, do Derby, e a requalificação da Ponte Motocolombó, importante eixo de ligação entre a Zona Sul e o Centro, conectando os bairros da Imbiribeira e de Afogados. O investimento nessas três pontes foi de mais de R$ 15 milhões.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Internet e Letícia Lins / #OxeRecife

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2 comentários

  1. É uma pena na reforma não incluírem a retirada do muro da ponte que dá para o mar e tapa a nossa visão. Uma estupidez bem pernambucana aquele muro que impede a visão do Cabanga. Uma visão bonita dos veleiros foi tapada pelos engenheiros que fizeram a alteração da Ponte Giratória. As tais estúpidas autoridades do estado de Pernambuco não respeitam o patrimônio histórico-cultural que não pertence só aos desleixados pernambucanos, mas ao Brasil todo. Puseram abaixo monumentos do século dezessete e tantos outros mais como o Forte da Entrada do Recife, os Arcos do Recife etc. E a estupidez não afeta só as autoridades do passado. Vejam esses terminais de ônibus horrorosos que foram construídos por Eduardo Campos e que os caminhões destroçaram. Agora estão sendo remodelados para pior. Um horror o que fez o finado governador. Os viadutos da Caxangá é outro horror construído por Eduardo Campos.

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