Tráfico tira anualmente 38 milhões de animais silvestres da natureza no Brasil

Basta pegar a estrada ou mesmo visitar as feiras do interior para se ver o quanto é  comum o tráfico de animais silvestres. Muitos são “comercializados” à margem das estradas, até em barracas que vendem frutas.  No Recife, também é fácil se observar a venda ilegal de animais silvestres, em locais perto de feiras e mercados públicos. No interior, vez por outra, a Polícia Rodoviária Federal e o Cipoma estão apreendendo cargas de pássaros que seriam contrabandeados. Os traficantes não têm dó. Pois os bichos viajam em condições tão precárias, que muitos morrem enquanto são transportados. De fome, de calor.

As aves, aliás, principalmente os papagaios, estão entre os bichos mais visados pelos traficantes. A ação criminosa, no entanto, não é privilégio do Brasil. Até porque o tráfico de animais silvestres é considerado a terceira maior atividade ilícita praticada no mundo. Mas no nosso país, as perdas que a natureza sofre não são pequenas. De acordo com a Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), cerca de 38 milhões de animais silvestres são retirados da natureza anualmente para serem comercializados ilegalmente. Com o objetivo de alertar sobre a ilegalidade do comércio de animais silvestres, o Conselho Regional de Biologia (CRBio-05) promoverá uma live  no dia 03 de novembro (quarta-feira), às 20h, no canal do CRBio 5ª Região no YouTube.

A tradição de ter papagaio em casa, como um pet, terminou levando a ave a se transformar em espécie ameaçada.

O debate será mediado pelo biólogo e professor Wallace Rodrigues Telino Júnior, da Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE). Participam ainda: Yuri Marinho, biólogo e gestor do Centro de Triagem de Animais Silvestres de Pernambuco (Cetas Tangara, da Agência Estadual do Meio Ambiente); André Maia, biólogo e professor de biologia; Hugo Fernandes, professor da Universidade Estadual do Ceará (UECE) e bacharel em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Ceará (UFC).

“Vamos argumentar sobre o mercado clandestino de animais silvestres, que é o terceiro mais lucrativo a nível mundial. O grande propósito desse encontro virtual é fazer um alerta em relação a perda de biodiversidade e que também só há tráfico porque tem quem compre. Se não tivéssemos compradores esse mercado não seria fomentado”, explica André Maia. A realização da live também tem como finalidade a conscientização contra o tráfico de animais silvestres.

“Além de ser uma prática criminosa, também prejudica diretamente a biodiversidade”, reforça Wallace Rodrigues, responsável pela mediação.  Yuri Marinho comentará sobre o trabalho de tratamento e readaptação dos animais silvestres. “Os animais que precisam de assistência são vítimas, justamente, dos processos de urbanização e ocupação humana.  Assim que ganham a liberdade, os animais vão em busca de um lar para cumprir seu papel na natureza, entre os quais, manter o equilíbrio do ecossistema”, finaliza Yuri.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Silene Andrade e Rosa Gamboias / Divulgação / CRBio 5ª Região

SERVIÇO
Live com o CRBio-05
Tema: Tráfico de Animais Silvestres
Data: 03/11 (quarta-feira)
Horário: 20h
Transmissão: YouTube do CRBio 5ª Região (https://www.youtube.com/channel/UCWLh1sjlG6AbHz7dIJDR3ng)

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