Ucuubeira preservada rende três vezes mais do que vendida a madeireiras

Se os habitantes do Sul, Centro Oeste, Sudeste  ou do Nordeste nunca ouviram falar, as populações da Amazônia conhecem demais essa árvore da foto.  É a ucuubeira (Virola surinamensis), que nasce em áreas úmidas, próximas aos rios e igapós. No Brasil, ocorre com frequência no Amazonas, Pará, Maranhão, Amapá e Roraima. No Nordeste, pode ser vista em Pernambuco, porém de forma não tão comum como na Região Norte.

A espécie ocorre, também, em outros países, como Colômbia, Peru, Costa Rica. No Brasil, esteve bem perto da extinção, porque sua madeira era muito disputada  por fábricas de vassouras,  de compensados, e também por construtoras que a utilizam em vigas para telhado. A madeira era até queimada para  fazer carvão. Quanta maldade…. O nome ucuubeira deve-se ao fato de sua fruta – a ucuuba – ser utilizada para obtenção de manteiga. Ucuubeira quer dizer “árvore da manteiga”. No caso dessa planta, a manteiga é muito hidratante e tem a vantagem de não deixar as mãos nem a pele da pessoa pegajosas.

Ou seja, ela é absorvida rapidamente pela epiderme, sem que esta fique “peguenta”. É que há alguns crimes, inclusive de marcas famosas, que deixam a nossa pele gordurosa o que provoca desconforto grande em climas quentes. A manteiga do fruto salvou a árvore do desaparecimento, já que os moradores das margens dos rios a cortavam para vender a madeireiros. E haja motosserra insana! Com o aproveitamento do fruto, a ucuubeira virou um exemplo do velho e acertado conceito segundo o qual a floresta vale muito mais em pé. É que com a colheita e aproveitamento dos frutos, as famílias que viviam do corte passaram a ter renda três vezes maior com a extração dos frutos. Na década de 1980, com a produção nacional de compensados, a madeira da Ucuuba foi intensamente explorada.

Desconhecida da maior parte dos nordestinos, a ucuuba (fruto da foto) produz manteiga de poder hidratante.

Por conta disso, a espécie chegou a figurar na lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN, na sigla em inglês), como uma das  que estariam extintas até 2050. No Brasil, o potencial da ucuuba chamou atenção da  Natura. A indústria de cosméticos percebeu que podia explorar o uso das sementes de Ucuuba,quando fazia um mapeamento para o desenvolvimento de óleos e manteigas a partir de matérias-primas encontradas na Amazônia. O cenário de vulnerabilidade da espécie chamou a atenção da empresa que, seguindo a política Natura de uso de espécies vegetais presente em listas vermelhas, decidiu desenvolver o Projeto de Conservação da Ucuuba.

Entre 2013 e 2016,  foram distribuídas 5.000 mudas nas comunidades para promover a conservação nas áreas de coleta. “Por meio de estudos do retorno financeiro do comércio da madeira, foi possível descobrir que a safra anual de uma ucuubeira preservada gera uma renda três vezes maior para as comunidades do que a exploração madeireira”, informa a Natura. Isso porque, no lugar do arboricídio, que só acontece uma vez, a extração de sementes pode ser feita por, no mínimo, 10 anos. “A ucuuba é um grande exemplo que vai além do benefício do produto, pois contribui com o desenvolvimento da Amazônia pelo apoio a comunidades extrativistas e conservação da floresta”, afirma Mauro Costa, Gerente de Suprimentos da Natura.

Leia, nos links abaixo, informações sobre outras árvores nativas da Amazônia, do Nordeste e até mesmo algumas espécies exóticas.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Fernanda Frasão /  Divulgação / Natura

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