Reciclagem para poupar os oceanos

Dizem os ambientalistas e entidades internacionais que  em 2050, os oceanos terão  mais plásticos do que peixes, caso persista o ritmo de descartes indevidos no mundo. Mas há um outro problema nos nossos mares. De acordo com a ONU, cerca de 10 por cento do lixo marítimo é decorrente da indústria pesqueira, incluindo as redes utilizadas na atividade. Descartadas de forma indevida, elas representam um risco principalmente para a fauna, como tartarugas, golfinhos, peixes.

Agora vejam que coisa interessante. Residente em Florianópolis, a artista plástica, designer têxtil e ambientalista Nara Guichon desenvolve e fomenta moda ética e sustentável há mais de 40 anos em seu atelier, localizado em Florianópolis. Em 1998, Nara percebeu o grande número de redes de pesca industrial que eram jogadas na natureza, poluindo todo um ecossistema em larga escala no Brasil. As redes de poliamida são tão resistentes que levam centenas de anos para se decompor. Então, ela começou um projeto de reaproveitamento do material composto por poliamida, que até então não é reciclado no Brasil.

A partir desse projeto surgiram os esfregões ecológicos, produto ideal para limpeza pesada e que substitui produtos de plástico e com menor durabilidade – mesmo após 6 anos de uso contínuo, o esfregão mantém a mesma gramatura, o que comprova que, neste período, não libera microplásticos. “Numa sociedade cada vez menos conectada aos valores naturais, o artesanato feito com materiais que, de outro modo seriam descartados, se mostra como uma forma de retorno às origens. O contato com os elementos minerais e vegetais, assim como o novo olhar sobre objetos descartados ou indesejados, pode revolucionar a nossa economia e a forma como interagimos como sociedade”, explica a artesã.

Em 2014, Marcella Zambardino, co-Ceo da Positiv.a, empresa B que cria soluções para cuidar da casa, do corpo e da natureza, conheceu a Nara em um Festival de Alimentação Orgânica. Elas firmaram uma parceria para que a Positiv.a se tornasse o representante exclusivo dos esfregões e de lá para cá, a parceria só trouxe resultados benéficos. No total, a Positiv.a já vendeu 476,3 kg de produtos feitos a partir da rede de pesca reutilizada e a Nara e sua equipe reusam em média 2 toneladas de rede de pesca ao ano. Além do esfregão, a Positiv.a vende saquinhos produzidos pela artesã também com a reutilização das redes de pesca. Com eles, o objetivo é substituir as embalagens comuns de plástico e podem ser utilizados para fazer compras a granel, como necessaire, porta acessórios ou até como separador de roupas em malas de viagem. A empresa pretende aumentar essa linha de produtos. Já no atelier de Nara, as redes de pesca também se transformam em esponjas, colares, roupas e xales.

Veja, nos links abaixo, outra experiência  da Positiv.a, e iniciativas vitoriosas sobre reciclagem, que ajudam a poupar a natureza.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Divulgação / Positiv.a

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