Expedições para remover coral-sol que ameaça espécies nativas em PE

Como acontece em terra, as espécies exóticas também podem provocar desequilíbrio nas águas, sejam estas do mar, rios, lagoas. Em Pernambuco, um coral começa a inquietar autoridades e ambientalistas. É o coral-sol, que ameaça as espécies nativas e já foi identificado em cinco pontos de naufrágios na costa pernambucana. Por esse motivo, a Secretaria do Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco anunciou hoje uma série de ações para conter o avanço.

Segundo levantamento feito pela Semas com o apoio de instituições não governamentais, até o momento, foi identificada a presença de indivíduos dessa espécie nas embarcações Walsa, Bellatrix, São José, Phoenix e Virgo, localizadas na costa do Recife. Todas estão afundadas. Mas também foi observada a existência do animal em estruturas do Porto de Suape, no Litoral Sul do Estado. O assunto foi discutido em live realizada nessa terça (1/6), quando foi divulgado o plano para remoção da espécie, que será desenvolvido em cinco etapas: Diagnóstico; Remoção; Monitoramento; Comunicação e Normas. Essas etapas serão realizadas simultaneamente como forma de garantir um controle mais efetivo do animal.

Corais invasores que ameaçam os nativos serão removidos por mergulhadores em naufrágios de Pernambuco.

O coral-sol foi identificado, no ano passado, em navios naufragados no Recife. Com investimento inicial de cerca de R$ 530 mil, o plano de combate prevê a realização de 59 campanhas de mergulho para remover a espécie e monitorar a costa do estado, Fernando de Noronha e áreas portuárias. A iniciativa foi detalhada durante o webinário Coral-sol e Naufrágios, que integra a programação da Semana do Meio Ambiente. O secretário da pasta ambiental do estado, José Bertotti, ressaltou que a espécie chegou ao Brasil há muito tempo, mas só agora em Pernambuco. A presença dela é um alerta por sua capacidade de comprometer a vida marinha nativa.

“Temos um chamado pela restauração dos ecossistemas e isso inclui o bioma Marinho-costeiro. O coral-sol nos desperta preocupações. Mas, estamos prontos para agir e tomar as medidas necessárias em tempo para conter a disseminação dele. Essa é uma ação conjunta do governo, academia e sociedade civil, e acreditamos que ela é um motor importante para garantir a conservação dos nossos ambientes recifais”. Para o diagnóstico, serão realizados 28 mergulhos em pontos de naufrágios e também de ambientes naturais distribuídos na costa pernambucana, sendo três deles no Arquipélago de Fernando de Noronha. A ideia é ter uma visão do status da contaminação dos ambientes marinhos consolidado num relatório com mapa e medidas mitigadoras a serem adotadas. “Na nossa costa, existem mais de 100 naufrágios. Contudo, escolhemos os pontos a partir da análise de especialistas que indicaram os locais com maior probabilidade de aparecimento do coral-sol frente ao cenário hoje já posto”, explicou Sidney Vieira, analista da Semas/PE.

Corais invasores estão na mira dos ambientalistas porque ameaçam os nativos na costa pernambucana.

Já a etapa de remoção deve começar ainda este mês, quando está prevista a primeira atividade de retirada de colônias localizadas no barco “Virgo”. A embarcação está em 16% de sua superfície contaminada, de acordo com o Projeto de Conservação Recifal. Além dessa, é certa a extração de indivíduos nos outros quatro naufrágios que abrigam o animal. Parte do material coletado será encaminhado às universidades e aos pesquisadores parceiros. O restante seguirá para destinação adequada. Após as ações de retirada, a Semas seguirá fazendo o monitoramento tanto de áreas já afetadas como de outros pontos estratégicos da costa. O plano contempla a realização de outras 25 campanhas de mergulho, além de um reforço na comunicação com as autoridades portuárias, mergulhadores profissionais, pescadores e instituições que atuam em ambientes recifais.

O coral-sol é uma espécie exótica-invasora, originária do Oceano Pacífico Sul, o coral-sol é encontrado principalmente no Arquipélago de Fiji. Os vetores de introdução dele estão relacionados à plataforma e outras estruturas da exploração de petróleo.  Os navios também são tidos como vetores, através, principalmente, da incrustação da espécie em seu casco. Os indivíduos se fixam ao encontrar costão rochoso ou materiais artificiais como cimento, granito, aço e cerâmica, podendo ocupar áreas até onde não há incidência de luz. São capazes de se reproduzir em alta velocidade, ao contrário dos nativos, que levam até dois séculos para se  regenerar. Segundo os ambientalistas, o coral-sol ocupa espaço da fauna nativa e provocando um efeito devastador na biodiversidade marinha brasileira.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Semas-PE / Acervo #OxeRecife

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