Desmatamento no Sertão do Araripe

O desmatamento avança em todo canto. Até no Sertão. Olhem só a foto acima, uma mata no meio da caatinga, com clareiras à vista. Não é tão difícil esse tipo de paisagem na Região do Araripe, onde se concentra a maior produção de gipsita do Brasil. Ali, há calcinadoras que,  muitas vezes, usam lenha da caatinga para aquecer seus fornos. E o que é pior, lenha clandestina.

Mas ao contrário do que acontece lá pela Amazônia, onde os madeireiros clandestinos contam com o amparo do governo, no nosso Estado, pelo menos, a fiscalização está em cima. E entre os dias 26 e 30 de abril, houve uma nos municípios de Bodocó, Trindade e Araripina, onde há extração e processamento da gipsita (gesso), tão empregado na construção civil. Mas foi em Trindade – a 655 quilômetros do Recife – onde foi flagrada a maior quantidade de desmatamentos: três em três áreas distintas.

“Com o apoio das imagens de um drone, nós chegamos às áreas, quando os infratores estavam derrubando as árvores e colocando-as em caminhões, que fariam o transporte ilegal. Ou seja, a motosserra insana estava correndo solta, no meio da caatinga. Uma tristeza só!  “Apreendemos três motosserras e 11 foices e conduzimos os infratores à delegacia. Os motoristas foram multados em R$ 1,8 mil no total”, afirma Thiago Costa Lima, Chefe do Setor de Fiscalização Florestal da Cprh. Infelizmente, os proprietários das áreas desmatadas ainda não foram identificados. Mas, quem sabe, trilhando o caminho das piabas, a fiscalização chegue aos tubarões.

“No total, oito pessoas envolvidas com o desmatamento responderão criminalmente pela prática do crime ambiental. Mas vamos identificar e multar todos eles”,diz Lima. A equipe da Cprh também apreendeu um caminhão que transportava lenha ilegal para uma calcinadora, no município de Ouricuri, que fica a 630 quilômetros do Recife e a 24 de Trindade. O motorista teve a carga apreendida e foi multado em 460 reais. Já a calcinadora foi interditada pela falta de licenciamento ambiental.

Além de multas por infrações ambientais, houve interdição de estabelecimento sem licença ambiental, apreensão de veículos e resgate de aves silvestres criadas ilegalmente.  A ação contou com o apoio dos soldados da Polícia Militar de Pernambuco, do batalhão local.

A fauna silvestre criada ilegalmente também entrou na pauta da equipe de fiscalização florestal. “A equipe tinha a missão de apurar denúncias sobre desmatamento”, diz Lima.

As denúncias foram feitas à Ouvidoria Ambiental e ao Ministério Público de Pernambuco. “Mas os agentes ambientais também recuperaram 52 aves silvestres criadas ilegalmente”, explicou a coordenadora de Fiscalização Ambiental, Silvana Valdevino. Se no Recife as pessoas ainda teimam em manter pássaros em cativeiro, no interior essa cultura é ainda cultivada com muita intensidade, fato que alimenta – e muito – o tráfico de animais silvestres. As aves foram levadas para o Centro de Triagem de Animais Silvestres de Pernambuco (Cetas Tangara), unidade da Cprh, localizada no Recife. A equipe também apreendeu oito armadilhas usadas para a captura de animais. Um absurdo!

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife

Fotos: Divulgação / Cprh

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