Curso superior para reeducandos

Há quem diga que os presídios e penitenciárias são escolas de crime. São mesmo. E é grande o percentual daqueles que voltam à marginalidade, ao deixar a grades para trás, cometendo delitos até maiores do que os que os pelos quais foram condenados. Em Pernambuco, não se pode dizer que as prisões sejam um primor. Mas, pelo menos, algumas iniciativas  vêm sendo implantadas naquilo que se pode chamar de exceção da regra.

Eu mesma já entrevistei homens e mulheres que estiveram presos até por homicídios, mas que mudaram de vida depois que descobriram um novo sentido para ela. E o trabalho e o estudo são duas armas poderosas para operar essa mudança. O Patronado Penitenciário informou hoje que oito reeducando que cumprem o resto de suas penas em regime aberto estão fazendo curso superior. Tudo com apoio do Instituto Recomeçar e Senac.

Em Olinda, reeducandos do sistema prisional atuam nas ações de contenção de morros e encostas.

A Faculdade Senac concedeu bolsas de estudos nos cursos de Recursos Humanos, Análise de Desenvolvimento de Sistema e Gastronomia.  As aulas foram iniciadas há  um mês pela modalidade remota, por conta da pandemia. Porém eles precisam comparecem todos às dias na sala de informática do órgão. Clodoaldo Martins, 45 anos, é um dos beneficiados. E já vislumbra um futuro diferente depois do curso de gastronomia.

A escolha dos estudantes se deu a partir de análise realizada durante o atendimento individual com a psicóloga e assistente social do Patronato (órgão responsável por acompanhar os egressos, prestar assistência psicossocial e jurídica, além de fomentar a ressocialização viabilizando cursos e vagas de trabalho). “A educação profissional é a chave para a transformação social”, afirma Bernardo Peixoto, Presidente do Sistema Fecomércio/Ses/ Senac – Pernambuco.  Para o Secretário de Justiça e Direitos Humanos, Pedro Eurico de Barros, iniciativas como esta contribuem para melhorar o reeducando como “profissional e cidadão”. Há apenados em regime aberto que estudam informática básica e empreendedorismo. Pena, no entanto, que sejam poucos.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Divulgação / Patronato Penitenciário

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