O “dono” da rua e o direito de ir e vir

É impressionante a falta de cidadania no Recife. Em coisas  que podem parecer pequenas, mas que fazem a diferença.  Um carro parado no meio da rua, por exemplo,  é um total desrespeito às leis de trânsito, e até mesmo ao direito constitucional de  de ir e vir. Imagine o estresse, logo cedo, quando você vai sair de casa e descobre que a rua está bloqueada por algum motorista sem noção.

Desde o início da pandemia, tenho feito tudo muito cedo, fugindo de qualquer tipo de aglomeração. E isso inclui a ida ao caixa eletrônico quando a agência bancária ainda não abriu para o atendimento no balcão, a  feira bem cedinho e até o supermercado na hora que abre.

Pode parecer exagero, mas a estratégia tem dado certo, porque – pelo menos até agora – o coronavírus não me pegou,embora o Covid-19 já tenha contaminado vários membros da família, dois dos quais não resistiram à infecção, um cunhado e o pai dos meus filhos. Pois nessa quinta-feira (22/04) não pude realizar os compromissos na hora desejada e necessária. Tudo porque o condutor desse veículo aí da foto se sentiu o “dono da rua” e fechou a entrada e saída da via onde fica minha garagem. E quando veio tirar o carro, ainda reclamou porque eu  protestei contra a sua “delicadeza”. Dá para acreditar?

Dá para entender a gravidade dessa situação? Carro fecha a rua, impedindo o livre direito de ir e vir.

Liguei para a Cttu, a fim de realizar o reboque do veículo. Meia hora depois, liguei de novo, mas a atendente simplesmente não tinha feito o registro da reclamação. “Já já chega um veículo aí”, disse a ela. Meia hora depois, nada. Então, telefonei de novo, e soube que a reclamação não tinha sido registrada. Aí repeti a denúncia e exigi número de protocolo, mas não precisou ser feito. Na hora que eu estava anotando, o dono do carro chegou e corri para ver quem era o autor da presepada.

Depois que o cidadão se foi, saí para resolver minhas coisas com o devido atraso. Na volta, deixei as compras e fui caminhar. Já tinha mesmo perdido a aula. E ao chegar da caminhada, uma viatura da Cttu acabara de chegar, mais ou menos duas horas após a primeira reclamação. Então, tá, a Cttu veio.  Para mostrar ao agente da Companhia que minha denúncia não era falsa, exibi a foto da infração. Mas a foto não vale como prova, segundo ele me informou. Sei não… Mas penso que a própria Cttu deveria ter um sistema para recebimento de foto em tempo real. Aí, ficava com o registro do descalabro tão comum na cidade, que é carro em cima de calçada, carro fechando rua e bloqueando garagem. Não foi a primeira vez que reclamei de coisa do tipo. Mas foi a primeira vez que a Cttu veio realmente. Pena que chegou tarde. Bom mesmo, era que o carro do infrator tivesse sido rebocado.

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Texto e foto: Letícia Lins / #OxeRecife

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