Uma verdadeira “praça de alimentação” à margem do Açude de Apipucos

Andréa da Silva Aleixo sempre deu um jeito de se virar, para garantir a renda da família. “Já fiz tantas coisas… vendi lanche, fui sacoleira, vendi roupa em domicílios e terminei botando uma loja de confecções”, conta. “Mas, de repente, as pessoas passaram a só querer roupa de grife e a comprar nas redes sociais”. Andréa não pensou duas vezes.  Diante do movimento fraco, fechou o negócio e partiu para outra, fiando-se no seu tempero sempre elogiado por parentes e amigos.

Aos 46, ela comemora o sucesso da última empreitada. Do Alto do Mandu, na Rua Mandacaru – onde funcionava sua lojinha de confecções – migrou para um ambiente aberto, à margem do Açude de Apípucos, onde fica a mais recente “praça de alimentação” da Zona Norte. E  é praça mesmo, longe do conceito idealizado por grandes centros  fechados de compras, como os shopping centers. Pois fica ao ar livre, sob árvores frondosas, ao lado equipamentos urbanos como bancos e mesinhas de concreto. Nesses tempos de pandemia, comer ao ar livre termina até se tornando uma opção de menor risco. E com preços convidativos.

Andréa chegou ao local há três anos. O negócio se limitava a uma mesa e dois banquinhos, para vender comida em quentinhas. O tempero ganhou fama, o negócio foi crescendo e virou referência de comida boa e barata aos sábados, domingos e feriados, quando a beira do Açude ganha o colorido de ombrelones e toldos.  Agora são 30 mesas, 30 cadeiras e 50 banquinhos que vivem cheios de gente em finais de semana de sol. Em um domingo, o seu Dona Andréa – Comidas Regionais chega a vender 350 quentinhas, sem falar nos clientes que fazem fila à espera de uma mesa desocupada para almoçar.

Andréa não teme desafios, nem mesmo durante a pandemia, durante a qual expande seus negócios

Andréa é uma verdadeira empreendedora. Não tem medo de trabalho. Já chegou a ter 13 auxiliares – inclusive da família – mas reduziu para sete, depois da pandemia. Mesmo assim, não tem medo de ousar. Acaba de alugar uma casa, quase defronte do Açude onde instalou cozinha, freezers e mesas com cadeiras para receber os clientes, quando o tempo não estiver bom. Chuva e ar livre não combinam, não é? Então, a casa já está pronta para funcionar como restaurante quando for preciso, quando o sol não der o ar da graça. E o cardápio é amplo, bom e barato. No último final de semana, saboreei um bobó de camarão juntamente com o meu filho Thiago. Preço: R$ 25. Como a porção é muito generosa, o almoço saiu a R$ 12,50 por cabeça. Para os comilões, no entanto, o preço varia, porque – dependendo da quantidade –  um prato pode custar R$ 25,  R$ 35 e R$ 45.

Pelos mesmos valores, você pode saborear dobradinha, sarapatel, caldeirada, rabada com pirão, cabidela, bode guisado, agulhão branco ao molho de camarão, estrogonofe e frango,  cupim (um tipo de carne bovina), picanha, maminha, fígado acebolado, porcão e batata frita (400 gramas). Dependendo da escolha, o acompanhamento pode ser arroz branco, feijão verde, batata frita ou duas dessas três opções. Alguns dos pratos, como o bobó, podem custar um pouco mais. Uma porção é R$25, porém duas custam R$ 40. E a maior sai a R$ 50. O prato mais sofisticado e mais caro é o camarão quatro queijos., que sai a R$ 30, R$ 50 e R$ 70.

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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