Degradado, Sertão do Araripe vai ganhar ação de reflorestamento em 2021

Bioma único no mundo – só ocorre no Nordeste brasileiro – a caatinga está sob pressão. Mas na região do Araripe a devastação ainda  é maior, por conta da exploração de gipsita, cuja qualidade é considerada como uma das melhores do mundo. Não é à toa, portanto, que até empresas multinacionais estejam lá instaladas para extração e produção de gesso. Mas o preço que a região paga é muito alto, pois há estudos que mostram que a lenha nativa responde por nada menos de 73 por cento da matriz energética usada nos fornos de calcinação em municípios como Araripina, Ipubi, Trindade. Ou seja, uma situação preocupante.

Por esse motivo, o Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan) está anunciando que uma das  prioridades para 2021 é o Projeto Recuperação de Áreas Degradadas do Araripe, que pretende fazer reflorestamento e recuperação de cem hectares marcados por desmatamento e queimadas. O objetivo é reduzir os impactos ambientais e climáticos na região. Como se sabe, o Sertão nordestinos possui áreas em processo contínuo de desertificação. Desde abril de 2020, o Cepan trabalha na elaboração de um Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD) específico para a região do Araripe, contemplando suas necessidades e características. O desafio do projeto é restaurar o capital natural na APA Chapada do Araripe e no entorno da Floresta Nacional (FLONA) do Araripe-Apodi através de oportunidades socioeconômicas para a população local.

Cepan informa que reflorestamento de cem hectares no Sertão do Araripe contará com participação de atores locais: alternativa de renda.

“Nossa intenção é movimentar uma cadeia produtiva da restauração, ligando e potencializando os seus elos, e gerando oportunidades de renda para as famílias envolvidas”, comenta Emanuelle Souza, analista de projetos do Cepan à frente da iniciativa. Através de um edital de convocação e contatos estratégicos, o Cepan já identificou 57 atores diretamente ligados à cadeia produtiva, entre viveiristas, agrofloresteiros, brigadistas, órgãos de gestão. E quer mobilizar potenciais coletores de sementes e produtores de insumos, principalmente os oriundos de comunidades extrativistas, que poderão compor o início de uma Rede de Sementes nativas da região, iniciativa fundamental para conduzir a restauração. Os colaboradores serão remunerados pelos serviços prestados.

Em setembro,  técnicos do Cepan visitaram pessoalmente iniciativas, visando formalizar uma frente de restauração para a região que, mesmo situada no Semi Árido, abriga coberturas vegetais com características de mata úmida, cerrado e carrasco, que atribuem à Chapada características únicas. “Recuperar esse bioma é urgente não só para proteger a biodiversidade, mas também para garantir o bem-estar das populações que ali vivem e usufruem dos serviços ecossistêmicos”, argumenta Emanuelle.  Pessoas residentes na região e interessadas em aderir ou colaborar com o projeto podem sinalizar através dos e-mails araripe@cepan.org.br e emanuelle@cepan.org.br, ou ainda através de telefone (81) 99874-0185.

O Projeto Recuperação de Áreas Degradadas na Chapada do Araripe é conduzido pelo Cepan com apoio do Projeto GEF Terrestre, em parceria com o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) por meio do Ministério do Meio Ambiente e do Governo Federal. Mais informações: https://cepan.org.br/recuperacao-de-areas-degradadas-na-chapada-do-araripe/.   O Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste é uma instituição privada sem fins lucrativos. Tem sede no Recife e foi fundado no ano 2000. Tem como missão gerar e divulgar soluções estratégicas para a conservação da biodiversidade mediante ciência, formação de pessoas e diálogo com a sociedade. Suas atividades se dão via parcerias com entidades locais, regionais, nacionais e de outros países, além de diversas instituições do primeiro, do segundo e do terceiro setor.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Cepan / Divulgação

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