No Dia da Caatinga, nada como conhecer melhor o Sertão de Pernambuco

Presente em todos os estados nordestinos – à exceção do Maranhão – e respondendo por 83 por cento do território de Pernambuco, a caatinga é um bioma único no mundo, exclusivo do Brasil, onde também marca presença em Minas Gerais. E que tem o seu dia, comemorado hoje, 28 de abril, oficializado desde 2003. A data marca o nascimento do Professor João Vasconcelos Sobrinho (1908 – 1989), que tornou-se famoso no século passado, ao denunciar a exploração predatória do Rio São Francisco e suas consequência para o Sertão.

As pessoas são habituadas a conviver com a paisagem da caatinga em imagens estereotipadas, normalmente divulgadas de forma massiva durante as grandes estiagens: o boi em carne e osso, o leito rachado dos açudes sem água, a vegetação toda marrom, em monótona monocromia. Mas ao contrário do que muita gente pensa, a caatinga é rica em diversidade de espécies da fauna e da flora, inclusive muitas endêmicas. Outras ameaçadas de extinção . A caatinga tem paisagens tão lindas, que vem despertando os olhos atentos de fotógrafos como Fred Jordão que, em 2012, lançou um belíssimo livro chamado Sertão Verde – Paisagens, que guardo com o maior carinho em minha estante. É que para mim, o Sertão é o eterno contraste da vegetação esturricada dos verões com a exuberância do verde, às primeiras chuvas.

Para assinalar a data, a Agência Estadual do Meio Ambiente (Cprh) distribuiu hoje um texto sobre a caatinga, no qual mostra a quantidade de unidades de conservação naquela região. Elas somam oito que, juntas, possuem 148.389, 19 hectares de áreas protegidas. Entre estas, a Estação Ecológica Serra da Canoa (sobre a qual falamos ontem aqui no #OxeRecife) e o Refúgio Vida Silvestre Tatu Bola. Esta é uma iniciativa importantíssima para a preservação da espécie, que virou o mascote da Copa do Mundo Fifa 2014, o famoso Fuleco. O tatu-bola, o menor tatu do Brasil,  está cada vez mais raro na natureza. É um  animal fácil de caçar, porque se encolhe e vira uma bolinha, quando se sente ameaçado,virando presa fácil para os predadores. Tadinho…

Chamada de Mata Branca ou Floresta Branca pelos índios, a caatinga vive sob constante ameaça, devido à frequência dos desmatamentos. “Além das práticas ilegais cometidas na área, como o desmatamento e a caça, há as vulnerabilidades às mudanças climáticas”, comenta o Diretor-Presidente da Cprh, Djalma Paes. “Por esse motivo,o Governo de Pernambuco, através da Cprh e da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade, vem empreendendo esforços para preservar a caatinga, inclusive com a criação de novas unidades de conservação”, afirma. A primeira unidade de conservação do bioma foi criada em 2012,o Parque Estadual Mata da Pimenteira (em Serra Talhada).

Depois, vieram: Estação Ecológica Serra da Canoa (Floresta); Refúgio da Vida Silvestre Tatu Bola (Petrolina, Santa Maria da Boa Vista e Lagoa Grande); Refúgio da Vida Silvestre Riacho Pontal e Parque Estadual da Serra do Areal (ambos em Petrolina); Refúgio da Vida Silvestre Serra da Caatingueira (Salgueiro e Cabrobó); Monumento Natural Serra do Cachorro (Brejo da Madre Deus, Tacaimbó e São Caetano); Refúgio da Vida Silvestre Serra do Giz (Carnaúba e Afogados e Afogados de Ingazeira). Todas ficam no Sertão, exceto a Serra do Cachorro, que é no Agreste (que é uma faixa de transição entre a Zona da Mata e o Sertão).

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Serviço:
Nesses tempos de confinamento social, veja as dicas da Cprh, para “viajar” ao Sertão.
Quer conhecer o Parque Estadual Mata da Pimenteira (PEMP)? Então assista ao vídeo “Mata da Pimenteira, coração da Caatinga”, clicando no portal da CPRH (www.cprh.pe.gov.br).No nosso endereço eletrônico, na área Educação Ambiental – Publicações você também encontra informações interessantes e lúdicas sobre a Caatinga. O e-book “Cantos, Recantos e Encantos da Mata da Pimenteira” (https://issuu.com/inhalt/docs/af_20_book_pemp_21x21cm é uma história que se passa no Parque. E um outro e-book traz a poesia do PEMP: “Parque Estadual Mata da Pimenteira em versos” https://issuu.com/inhalt/docs/livro_de_poesias_-_mata_da_pimenteira_em_versos. E para quem gosta de jogos, temos o Caderno de Atividades Caatinga (http://www.cprh.pe.gov.br/ARQUIVOS_ANEXO/caatinga%20frente;4903;20150522.jpg), com informações curiosas sobre o bioma, além de jogos educativos.

Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Cprh/ Divulgação

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