Caatinga, bioma único, comemora oito anos de Estação Ecológica no Sertão

Tem muita gente que costuma pensar que a caatinga é eternamente aquela vegetação seca, que estamos habituados a ver durante as estiagens que castigam o Sertão. Nada mais errado. Bastam poucos dias de chuva, para se observar o quanto é grande o seu poder de renovação das plantas do Semi Árido. De repente, a região agreste e agressiva se transforma em um tapete verde e florido. O fenômeno até inspirou Patativa do Assaré (1909-2002), que dizia que “para ser poeta, no Sertão, não precisa ser professor, basta ver um verso em cada galho, um poema em cada flor”.

Sim, há flores belíssimas no Sertão, como as de alguns tipos de cactáceas, inclusive a gigantesca, do mandacaru, que só dá o ar da graça durante as madrugadas. A caatinga é um bioma único no mundo, só existente no Nordeste do Brasil. Mas é, também, um dos mais ameaçados por conta do clima e da pressão do homem. Então, é tempo de comemorar mais um aniversário da criação da Estação Ecológica Serra da Canoa, que fica no município de Floresta, localizado no Sertão do São Francisco e a 439 quilômetros do Recife. A Esec completou esta semana oito anos nesta semana sem festa, devido à pandemia.

A Esec foi criada por meio do Decreto Estadual  38.133 de 27 de abril de 2012, e é administrada pela Agência  Estadual de Meio Ambiente (CPRH). Sua área é superior a sete mil hectares de Caatinga e possui uma rica biodiversidade. A Cprh informa que por meio da Unidade  Gestão  de Unidade de Conservação (Uguc),  vem trabalhando para  proteger as espécies endêmicas e as espécies raras ameaçadas de extinção que ocorrem na área e nos remanescentes florestais da região.

No levantamento biótico (fauna e flora) de duas reservas particulares, que estão sob a influência direta da Esec,  foram registrados  cactos, bromélias (foto ao lado), juazeiro, imburana, angico, catingueira, entre espécies vegetais endêmicas da região.  O juazeiro é uma das árvores que se mantém verde, mesmo nas secas.  Na fauna, foi constatada a presença de lagartos, serpentes, papagaio-verdadeiro e o pintassilgo-do-nordeste, sendo estes dois últimos ameaçados de extinção.

” Estamos realizando o levantamento  de proprietários e posseiros, para que seja feita a regularização fundiária. Os próximos passos envolvem  o levantamento da fauna e da  flora e a  elaboração de um Plano de Manejo para a área, além da criação do Conselho Gestor. A aquisição da sede da Esec também está nos planejamento para conquistas futuras”, explica o gestor Erikson Francisco da Silva.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Erikson Francisco da Silva / Cprh / Divulgação

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