Apipucos sucumbe ao lixo

É uma pena o que está acontecendo com o antes pitoresco bairro de Apipucos, onde seus dois principais cartões postais estão se transformando em dois lixões. O primeiro é o Açude, do qual a Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb) retira por mês 20 toneladas de lixo, que ali é jogado por moradores do entorno. Isso indica que, ao longo do ano, nada menos de 240 toneladas de detritos são retirados do lago. Em uma década, o acúmulo de lixo do Açude somaria 2.400 toneladas, se não houvesse coleta. Imaginem! Se limpo, o Açude poderia ser uma opção de lazer e até de banho para a comunidade. Até porque ele não recebe água do poluído Capibaribe. Ao contrário, como fica em posição mais elevada, seu nível é regularizado através de um sangradouro que leva suas águas para o rio, o nosso “Cão sem plumas”.

Todas as manhãs, em minhas caminhadas, vejo o esforço dos garis da Emlurb, com a retirada manual de garrafas, colchões, latas, tralhas. E também das chamadas pastas – baronesas – que podem cobrir toda a superfície do lago, se não forem retiradas. Como já ocorrreu no passado, quando a superfície ficou encoberta  pela vegetação, em decorrência do excesso de dejetos orgânicos ali.

Em outras palavras: esgoto doméstico que nele é despejado sem dó. Ainda há quem se arrisque a consumir o seu pescado, mas os homens que manipulam redes e anzóis às margens daquele que é um dos cartões postais da Zona Norte, me informam que das muitas espécies que ali havia, só restam  as tilápias. “Assim mesmo com gosto esquisito de terra”. Outro problema do bairro é o escuro na Rua da Aliança, com postes de iluminação apagados desde o último inverno, com o trecho entre os números 8 e 26 totalmente às escuras.  A  Emlurb já foi acionada várias vezes, mas até o momento o breu é o mesmo. O reparo ocorreu em outro ponto da rua, com a troca de lâmpadas que, por sinal, nem queimadas estavam.

Já na Rua Olegarina da Cunha – no lado oposto à Praça de Apipucos –  a encosta da subida para a  singela Igreja de Nossa Senhora dos Remédios se transformou em  um lixão, já que os próprios moradores estão despejando lá folhas, metralhas, tralhas, restos de móveis. O caso já foi denunciado à Emlurb por vários residentes no Bairro, mas até agora o problema permanece, sem que nenhuma autoridade notifique os infratores.

A Emlurb  até passa lá e recolhe o lixo. No último dia 12 de outubro, à noite, havia garis e caminhão recolhendo o lixo. Para tudo voltar à mesma situação, porque a Emlurb tira, mas a população coloca de novo. Enquanto não houver notificação ou multa, permanece tudo do mesmo jeito.  Com o constante acúmulo de detritos, a situação está se agravando, e até mesmo a vegetação rasteira que garante sustentação de encostas e barreiras começa a sumir. Não é difícil, para o poder público, identificar os agentes desse permanente descarte irregular, porque ocorre diariamente, no mesmo lugar. Um descarte que só contribui para transformar para pior aquele que já foi um dos mais bucólicos bairros do Recife, e no qual restam resquícios de Mata Atlântica e da vegetação outrora exuberante dos manguezais do Rio Capibaribe. Apesar da poluição.

Veja vídeo do trabalho inglório de limpeza diária no Açude de Apipucos:

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Placas de concreto parecem de areia
Metralhas poluem Apipucos
Parem de derrubar árvores (119)
Parem de derrubar árvores (65)
Açude de Apipucos ganha pracinha
Tem um tanque no meio do caminho

Texto, foto e vídeo: Letícia Lins / #OxeRecife

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