Apipucos pede socorro

Está de fazer pena a Praça de Apipucos, antes um dos lugares mais “aprazíveis” do Recife, só para usar uma expressão muito comum em prospectos turísticos. A praça era linda, com gramado verde, bancos, brinquedinhos para a criançada. O local era tão interessante, que muitas agências de publicidade chegavam a escolhê-lo como locação para seus anúncios, principalmente de São João e fim de ano. Hoje, não há mais como uma agência de publicidade fazer da praça área de locação para seus anúncios: a vegetação está seca, a grama morreu, os bancos deixam a desejar e até o lixo se acumula (culpa de moradores e frequentadores porcalhões). Tem quem responsabilize o verão pela grama seca. Mas Praças como a Tiradentes (sobre a qual falo hoje à noite aqui no #OxeRecife) mostram que é possível resistir ao verão, quando há zelo pela vegetação.

No Recife, no entanto, deixa-se morrer à míngua. É só dar uma volta pela cidade, para se observar essa triste realidade. A maior parte de nossas praças carece de cuidados. Na Praça de Apipucos, fica um quartel da Polícia Militar, e a sua frequência, portanto, aumentou muito. Mas nenhum equipamento foi colocado para fazer face a essa demanda. Nem mesmo uma lixeira. Há dias que encho dois sacos de lixo recolhido no local. Houve uma segunda-feira, em que juntei mais de 30 garrafas PET entre os bancos de sua área central.  A praça, que antes parecia um sítio, foi equipada e jardinada pelo Prefeito Augusto Lucena, na década de 1970. E a última reforma que teve foi por volta de 1998, quando Roberto Magalhães era Prefeito do Recife. De lá para cá… Nem é bom saber. Mas como moradora do bairro há 30 anos, posso dizer com segurança que ela vive o seu pior momento.

Lixo, grama seca, plantas mortas, total abandono na Praça de Apipucos: descaso com o verde, o que é comum no Recife.

Possuía um zelador e jardineiro, empregado pela Prefeitura, que se encarregava de regar os seus jardins, utilizando a água de um poço que existe na praça, e que está fechado a cadeado. “Bigode” como era mais conhecido, foi afastado do serviço, e desde então, a Praça entrou em decadência. Antes, ela passava o ano inteiro com sua vegetação viçosa, já que recebia duas regas por dia. O verdinho da grama se foi, e cada dia some mais.  Creio mesmo que nem há mais como recuperar esse gramado. Morreu mesmo. É muito triste ter uma cidade, onde a gestão pública não cuida de praças e jardins. Na de Apipucos, o mato chegou a ficar da altura de um adulto, até que moradores resolveram passar a máquina no gramado. Vez por outra, a Emlurb aparece para dar uma geral. Entenda-se por geral, limpeza, varredura, corte de palha seca, que é em que a grama se transformou.

Os bancos também foram consertados e pintados por moradores da Praça. O resto, é só decadência. Para completar, a Compesa passou  nesta semana com uma obra pela rua da Alliança, que margeia a Praça e deixou a bagaceira, montes de areia e buracos com a retirada dos paralelepípedos. Disseram que vinha outra prestadora de serviço,  para “ajeitar”. Mas até agora, a situação só fez piorar. Pobres de nós, recifenses…. Como se não bastasse o arboricídio visível em nossas ruas e praças, ainda acabam com o que  cidade tem de bom. Acho que está na hora dos nossos gestores públicos tomarem uma liçãozinha em Salvador, capital em que estive recentemente e onde não vi: lixo na rua, praça mal cuidada, nem buraqueira nas calçadas como aqui.

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Texto e foto: Letícia Lins / #OxeRecife

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