Paulo Diniz valorizou poetas brasileiros e fez hino de protesto: “I want to go back do Bahia”

Perda grande. Dono de grandes sucessos entre os anos 70  e 80 do século passado, o cantor  Paulo Diniz se foi. Morreu nesta quarta-feira, aos 82 anos. Pernambucano do município de Pesqueira – localizado a 215 quilômetros do Recife – ele estourou nas paradas musicais com o iê-iê-iê “O chorão” (de Edson Mello e Luiz Keller), nos tempos da Jovem Guarda. Também marcou a carreira com com a inesquecível “Quero voltar prá Bahia”, que fez sucesso estrondoso no país, sendo inclusive gravada, também, por Caetano Veloso. Para quem, aliás, a música foi feita, por conta das perseguições políticas que levaram Caetano ao exílio.

“Eu quero voltar prá Bahia” terminou virando um hino de protesto contra a ditadura militar, implantada no Brasil em 1964. Como o foram, também, composições de outros autores, tais como Cálice (de Chico Buarque), O Bêbado e o Equilibrista (João Bosco e Aldir Blanc) e Para não dizer que não falei de flores (Geraldo Vandré). Todo mundo lembra desses versos, não lembra? “I don´t want do stay here / I want to go back to Bahia”… Que vinham seguidos de “Eu tenho andado tão só/ Quem me olha nem me vê/ Silêncio em meu violão / Nem eu mesmo sei porquê”. Os versos inglês, no entanto, lembram uma curiosidade. No começo da carreira, Paulo Diniz usou o vozeirão para trabalhar como locutor de rádio, sendo demitido porque errava a pronúncia de todas as palavras em inglês.

Veja a gravação antiga, que circula no Youtube:

Ele nasceu em 24 de maio de 1940, mas chegou ao Recife em busca de trabalho em 1960. Após perder o emprego em uma emissora de rádio, andou por alguns estados nordestinos e terminou indo para o Rio de Janeiro, onde construiu sua carreira artística. Outros grandes sucessos do artista foram Pingos de amor, Piri-Piri e Um chope para distrair. Porém fez um trabalho que muito contribuiu para divulgar  uma lista de poetas que vão do século 17  ao século 20.  Ele “musicou” poemas de Gregório de Matos (1636 – 1691),  Augusto dos Anjos (1884 – 1914), Jorge de Lima (1893 -1953), Manuel Bandeira (1886- 1968).

E também Carlos Drummond de Andrade (1902 – 1987). Sendo o deste último, o poema musicado que fez maior sucesso entre  o público: “E agora José?”. Inclusive a frase interrogativa, virou expressão muita utilizada pela população, diante de uma situação difícil, de um “beco sem saída”. Bastava um carro enguiçar ou um cidadão levar um calote, para alguém indagar com ironia: “E agora José”. Diniz tinha problemas de saúde desde o final do século passado, quando quase ficou paralítico.  Até hoje a quem repita a frase interrogativa diante de uma sinuca qualquer. O Governador Paulo Câmara (PSB) e o Prefeito João Campos (PSB) divulgaram notas de pesar.

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Texto:  Letícia Lins / #OxeRecife
Foto e vídeo: Redes sociais

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Um comentário

  1. Bela homenagem a esse grande artista Letícia! Você como sempre nos trazendo ótimos textos, mesmo que seja pra falar de um tema triste como a partida do nosso Paulo Diniz! Vá em paz!! 🙏🏽👏🏽👏🏽👏🏽👏🏽

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