Velho Chico e carrancas ganham gibi

Professor, contador de histórias e patrono da Academia Brasileira de Contadores de Histórias – ABCH,   Willian Fernando Soares propaga há uma década a arte de contar histórias, formando adolescentes e jovens como narradores orais. Tudo para  incentivar a leitura e fomento à tão rica cultura  sertaneja do Vale do São Francisco, nem sempre bastante conhecida pelos moradores das capitais.

Agora, as histórias em que ele valoriza personagens e lugares daquela região – o Velho Chico, as carrancas, Petrolina, Juazeiro – já não se restringem à tradição oral. É que Willian acaba de lançar o livro A turma do contador de histórias e a passagem do Juazeiro. Foi no Festival Baiano Literário de Contação de Histórias, realizado entre os dias 18 e 19 no Catussaba Ressort Hotel, em Salvador, na Bahia. O Festival Baiano Literário de Contação de Histórias teve formato presencial, com a participação de diversos artistas nacionais e internacionais. E a finalidade principal foi trabalhar as expressões da literatura oral e a contação de história, visando democratizar e estreitar as relações entres os protagonistas e outros simpatizantes dessa arte.

Uma arte tão lúdica e importante para o desenvolvimento intelectual das crianças. Aliás, uma história bem contada agrada, também, aos adultos. Se não fosse assim,  não teríamos o clássico As Mil e uma Noites, não é? Afinal, foi através da narrativa oral que Sherazade conquistou o amor de um rei, e diverte o mundo até hoje com suas histórias fantasiosas.  A obra de William, no formato HQ, apresenta  personagens conhecidos do Vale do São Francisco com seus significados. A cidade de Juazeiro virou Juazeirinho; Linda Lina é a vizinha Petrolina. O Rio São Francisco é Chiquinho.  O gibi traz, também, a carranca Siriguela, uma clara referência às figuras de proa que afastavam os maus espíritos nos barcos do Velho Chico. Em meio às aventuras, o contador de histórias mostra a importância de se guardar e registrar a memória:

 Revelamos a identidade dos povos tradicionais ou nativos, quilombolas e as influências do Rio São Francisco para a formação do povo, em uma viagem através das águas mágicas, voltando no tempo para descobrir como tudo começou na Passagem do Juazeiro

A cidade baiana como vocês sabem, fica à margem daquele rio que divide Pernambuco (Petrolina) e Bahia (Juazeiro). É muito importante não só a história oral, mas o registro das tradições de cada lugar. Seja em vídeo, livro, gibi. A iniciativa da publicação em HQ é um atrativo a mais para crianças e adolescentes, pois ler um gibi sempre foi, e será  grande diversão da garotada. Seria muito interessante se o livro chegasse ao Recife, onde  o Velho Chico e as carrancas são realidades bem distantes para meninos e meninas. Na capital, clássicos como Casa Grande e Senzala (de Gilberto Freyre) e Morte e Vida Severina ( o poema mais popular de João Cabral de Melo Neto) já foram publicados em quadrinhos, o que contribuiu para popularizar as duas obras entre estudantes, principalmente no ensino fundamental.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Divulgação

 

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