O “poderoso” Santo Antônio e sua “vingança” contra a “vitalina” casamenteira

Os festejos do mês de junho têm uma curiosidade. As maiores comemorações acontecem não no dia dos santos do ciclo junino, mas na véspera das datas a ele dedicadas.  Ou seja, 13 de junho é o Dia de Santo Antônio, mas é no dia 12 que o santo casamenteiro é lembrado, quando milhares de namorados vão às ruas, enchem bares, restaurantes, casas de festa. É no dia 23 que as fogueiras se acendem em homenagem a São João, cujo dia a ele dedicado é 24 de junho. O mesmo ocorre com São Pedro. A data em homenagem ao santo pescador é em 29 de junho, mas as comemorações maiores são no dia 28.

Dos três, é o Santo Antônio que tem mais empatia com os católicos de Pernambuco,  estado do qual é padroeiro. Mas não é só: ele também é padroeiro do Recife (o principal, porque Nossa Senhora do Carmo é a padroeira secundária), da Arquidiocese de Olinda e Recife, e ainda  da Província Eclesiástica de Pernambuco, que possui dez dioceses. Para o público, no entanto, é o Santo Casamenteiro. Dizem que a moda pegou, depois que ele conseguiu arranjar dinheiro para pagar o dote de uma moça que, sem os recursos, não conseguia se unir ao namorado. O fato é que tem muita gente fazendo promessa para arranjar marido, pedindo a ajuda do santo. No meu caso, lembro de uma velha história de família, que teria acontecido com uma tia avó.

Naqueles tempos, as moças ficavam na janela, vendo o movimento da rua, à espera de um pretendente. Enquanto isso, Santo Antônio ganhava velas acessas, fitas, adivinhações, era colocado de cabeça para baixo em algum lugar. Na minha infância, eram muitas as histórias a ele relacionadas. Mas a da tia avó, é difícil esquecer. Porque  ele implorou tanto por um marido ao santo, porém nunca era atendida. Um dia, perdeu a  paciência e atirou a imagem pela janela. Justo quando passava um rapaz pela calçada, que ao receber uma pancada na cabeça, desmaiou. O santo espatifou-se no chão. Aflita, a tia avó foi socorrer a vítima do seu desatino. Ele ficou desacordado. Com ajuda de populares, colocou o homem na sala,, até que ele despertasse. Quando o cidadão abriu os olhos… foi amor à primeira vista. Casaram-se e foram felizes. Até hoje não sei se ela recolheu os cacos e refez com cola a imagem destruída ou se levou a peça para um cemitério de santos, como era comum antigamente.

Naquela época, início do século passado, moça tinha que casar. E jovem. Quando uma “senhorita” completava 25, 30 anos, diziam que era “vitalina” e “ia ficar para titia”. Os comentários eram feitos de forma pejorativa. E as mocinhas apelavam para o Santo Antônio, sonhando com um casamento.

O 13 de junho é comemorado com  procissões no interior e em capitais de todo o Nordeste. Nos links abaixo, você confere mais curiosidades sobre o Santo. E elas são muitas. Pelo menos em Pernambuco, onde ele já foi soldado, ganhou patente de tenente e  até “elegeu-se” vereador, com direito  até pouco tempo a “salário” e tudo,  como a história registrada em Igarassu, a 30 quilômetros do Recife. Veja, também, porque a língua de Santo Antônio é guardada como relíquia em Portugal, pois ela nunca se degenerou como ocorre com as matérias vivas, após a morte dos homens, animais e plantas.

Milagre da santidade!

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Acervo #OxeRecife

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