Covid-19 ultrapassa gravidez precoce como causa de evasão escolar

Antes da pandemia, a gravidez precoce era o principal causa da evasão escolar de meninas e jovens mulheres na rede pública de ensino em Pernambuco. E no Cabo de Santo Agostinho – na Região Metropolitana – a situação não era diferente. Porém uma pesquisa que acaba de ser concluída, indicou que a maior causa do abandono escolar  tem a ver agora com o impacto provocado pela Covid-19.

É que 37,5 por cento das estudantes entrevistadas naquele município – a  41 quilômetros do Recife – informam que deixaram de estudar em 2020 e 2021 devido à falta de celular ou computador, o que as impediu de acompanhar as aulas virtualmente. A interrupção das aulas presenciais foi avaliada como muita negativa pelas meninas. E  95,2% delas desejam voltar às aulas presenciais. Para 40% das entrevistadas, as escolas não ofereceram a estrutura necessária para garantir segurança sanitária no contexto de pandemia.  Antes campeã, a  gravidez precoce passou a responder por 14,6 por cento dos casos de abandono escolar.

Iinspiradas em Malala, estudantes participam do Projeto Meninas em Movimento pela Educação, no Cabo.

Estudos anteriores à pandemia, em diversos municípios pernambucanos sempre apontaram a gravidez precoce como motivo principal da evasão escolar entre meninas e adolescentes. As informações sobre a situação atual constam do Diagnóstico Participativo sobre a Evasão Escolar das Meninas e Jovens Mulheres do Cabo de Santo Agostinho (PE), que traça o perfil das adolescentes e jovens mulheres fora da escola, mostrando as causas e os impactos da evasão escolar. O estudo apresenta ainda recomendações para prevenir a evasão escolar e orientar a busca ativa para o retorno dessas meninas e jovens mulheres à sala de aula, tanto no Ensino Fundamental como no Ensino Médio, considerando, o contexto da pandemia de Covid-19.

O diagnóstico mostrou, ainda, que as meninas e jovens mulheres sofreram mais do que os meninos e rapazes jovens na pandemia,” porque o trabalho doméstico, de cuidar da casa e das pessoas idosas, com deficiência ou doentes, recai sobretudo sobre as mulheres que estavam em casa.”, afirma  Cássia Jane, integrante da Rede de Ativistas pela Educação do Fundo Malala no Brasil, que coordenou a pesquisa aplicada nos diversos bairros do município de Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana de Recife.

O diagnóstico, protagonizado e conduzido por meninas e jovens mulheres cabenses, é parte do projeto “Meninas em Movimento pela Educação”, realizado pelo Centro das  Mulheres do Cabo com o apoio do Fundo Malala. Malala e Ziauddin Yousafzai , para os que não lembram é a menina que foi baleada pelo talibã, no Paquistão, simplesmente porque frequentava a escola e defendia – como ainda defende – o direito delas ao estudo. Em 2014,  foi contemplada com o Prêmio Nobel da Paz, aos 17 anos, sendo a primeira pessoa menor de idade a ganhar reconhecimento tão importante. Com o dinheiro do prêmio, ela criou o Fundo Malala e  para ajudar a educação em  vários países (Afeganistão, o Brasil,Etiópia, Índia,Líbano, Nigéria, Paquistão e Turquia), através da Rede de Ativistas em Educação (Education Champion Network).

No Brasil, a Rede é formada por onze educadoras e educadores dedicados a construir esforços coletivos pela educação escolar de qualidade nas regiões do país onde a maioria das meninas não frequenta o ensino secundário, com foco em meninas negras, indígenas e quilombolas.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Divulgação e reprodução da capa do livro “E sou Malala”

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