À espera do teste rápido na farmácia

Os números estão realmente assustadores. Passei a noite da sexta e todo o sábado – quase 24 horas sem energia nem Internet – e somente soube quando a luz voltou, que Pernambuco tinha batido mais um recorde no número diário e novos registros de Covid-19, quando a Secretaria Estadual de Saúde notificou 6.581 casos da infecção no dia 29 de janeiro. Vinha observando os números desde a última quarta-feira, só subindo… subindo. Essa quantidade de 24 horas de registros não é só recorde do ano, mas sim de toda a pandemia. Ou seja, o vírus está pegando que nem visgo. Me pegou, inclusive. E olha que tenho o maior cuidado, tanto que – na minha família – estou entre os poucos que não foram atingidos pelo coronavírus. Aliás, estava. Positivei.

Não tenho ido à praia (por conta da quantidade de pessoas sem máscara que ficam falando perto de você), não tenho frequentado locais fechados, vou ao caixa eletrônico logo cedo antes de o Plaza Shopping (o mais próximo de minha casa) abrir ao público. E há dois anos não ia ao cinema. Abri uma exceção, em um domingo à tarde, para assistir o divertido Festival do Amor, de Woody Allen. Só havia dez pessoas no escurinho do cinema, mas mesmo assim tive sensação de insegurança. Fui, também, a um evento em local fechado, uma vernissage. Também saí preocupada. As pessoas conversavam sem guardar distância. E, pior, não recuavam nem dois passos ao comer algum petisco, quando precisavam tirar a máscara. Também me deu sensação de insegurança. Decididamente, a rua não é nosso lugar em tempos de pandemia.

Decidi, então, ficar mais tempo ainda em casa. Lendo, lendo, lendo… Mas a ômicron (espero que seja ela) me pegou, como tem pegado toda a humanidade. Passei uns dias com uma disposição menor do que a de sempre. Depois, vieram os espirros, uma tosse seca e dois dias de moleza. No primeiro, fiquei na rede, nem ler eu conseguia. No segundo, já lia mas tinha preguiça de fazer outra coisa. No terceiro, comecei a melhorar. E, desde então, pelo menos aparentemente a evolução tem sido para melhor.  Para minha sorte, nem tive dor de cabeça nem frebre.

Calvário mesmo foi marcar a testagem, pois meu clínico, Paulo Barreto Campelo, me informou por telefone que meus sintomas eram da Covid-19,  fase ômicron. Então, eu tinha que testar. Primeiro, tentei o Conecta Recife. Um caos, nada consegui. Perdi a paciência. Depois, tentei alguns laboratórios conveniados com meu plano de saúde. Outro caos, longas filas de espera. Tentei farmácias, para marcar por telefone. Zero, também. Então, com duas máscaras na face, fui à rua. “Uma amiga minha fez ontem à noite na Pague Menos, não tinha ninguém”, me aconselha a amiga Gisela Abad, também recém saída da quarentena por conta de uma “Covid leve”. Fui lá, 7h da manhã. Não tinha mais vaga. A fila era grande do lado de fora, para receber uma das 250 fichas do dia. Quem chegava no fim como eu, estava fora. Em todas as outras que fazem testes rápidos, a situação era mesma: fila sob o sol ou sob a chuva.

Ao passar na frente da  Farmácia Permanente, observei uma placa  com o número de um celular para marcar teste rápido de covid.  Do carro mesmo, tentei ligar do celular. Zero. Já estava na rua e resolvi ir lá pessoalmente. Eram 7h30, porém já não tinha mais vaga para o exame no mesmo dia. E as marcações só eram presenciais, pois os funcionários disseram que se o fizessem pelo telefone, nem teriam como atender aos outros clientes clientes.  Ou seja, caos em cima de caos. “É muita gente, fazemos de 250 a 350 por dia”, disse um funcionário. Então, consegui marcar para 21h do dia seguinte. O preço foi R$ 100. Positivou. O que, para mim, não foi surpresa. Ainda dei graças a Deus de ter me livrado das variantes anteriores, muito mais agressivas e que, só da minha família, levaram duas pessoas a óbito antes da existência da vacina. Quanto ao preço, quem for escolhe testagem em local particular, tem que ter cuidado. É que de acordo com o Procon / Recife,  as variações de preço chegam a 156 por cento. Mas na Zona Norte, até parecia cartel. Todo mundo cobrando R$ 100.

Casos de Covid-19 batem recorde em Pernambuco, e os testes não chegam para quem precisa.

Aguardei, pacientemente sentada em uma prateleira de fraldas descartáveis, que saísse o resultado (não havia cadeiras para os pacientes). Deu +. Ao chegar em casa,  liguei para minha filha Juliana , contando que positivara. Ainda sob o trauma do sofrimento e da perda do pai devido ao coronavírus, a minha filha entrou em desespero. Queria me levar ao Hospital Português, fazer tudo de quanto é exame, para ver se eu estou bem. (Ela própria e o marido haviam sofrido ameaças de trombos, quando contraíram a Covid-19, em 2020). Eu tomei as três doses de vacina, e tenho visto que a ômicron é realmente menos agressiva, se formos comparar o percentual de pacientes que tiveram SRAG no domínio das variantes anteriores e na atual.

Ou seja, tem mais gente doente. Porém o percentual de complicações e de óbitos não tem o patamar tão elevado de 2020 e 2021. Dr Paulo a tranquilizou e a mim, também, quanto a essa nova realidade (de quadros mais leves) da pandemia. Mas a pedido de minha filha, farei todos os exames que ela quer que eu faça, embora já esteja me sentindo bem e sem desconforto algum, a não ser um pouco de fraqueza, o que é normal após qualquer gripe forte. Melhor tranquilizá-la, pois depois do que ela passou, vendo o sofrimento o pai que terminou em morte, deixa trauma em qualquer um. Fiquei pensando o quanto teria ficado apavorada se tivesse contraído a doença antes da vacinação,  naquela fase em que perdemos tantos parentes e amigos. O pior é que tem gente lá em Brasília, que fica fazendo discurso negacionista, anti-vacina. Sei não… só uma besta-fera mesmo….

Com a tosse provocada pela “gripe”, meu médico me recomendou um xarope. Porém deu outras três opções, caso não achasse o primeiro que indicou. “Se encontrar nas farmácias, tome Seki, ou Antux, ou Percoff ou Abrillar”. Tive dificuldade para encontrar o remédio, até que achei o último. E, felizmente, ele já curou minha tosse. UFA!

No sábado,a SES-PE registrou 6.581 casos da Covid-19. Entre os confirmados hoje, 40 (0,6%) são casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e 6.541 (99,4%) são leves. Agora, Pernambuco totaliza 695.094 casos confirmados da doença, sendo 55.926 graves e 639.168 leves, que estão distribuídos por todos os 184 municípios pernambucanos, além do arquipélago de Fernando de Noronha. Também foram confirmados laboratorialmente seis óbitos (5 femininos e 1 masculino). Com isso, o Estado totaliza 20.627 vidas perdidas para a pandemia. pela Covid-19. Ainda bem que a vacinação prossegue.

Pernambuco já aplicou 15.831.536 doses de vacinas contra a Covid- 19 na sua população, desde o início da campanha de imunização no Estado (no dia 18 de janeiro de 2021). Com relação às primeiras doses, foram 7.429.053 aplicações (cobertura de 83,71%). Do total, 6.538.207 pernambucanos (73,67%) já completaram seus esquemas vacinais, sendo 6.365.106 pessoas que foram vacinadas com imunizantes aplicados em duas doses e outros 173.101 pernambucanos que foram contemplados com vacina aplicada em dose única.Em relação às doses de reforços (terceira dose), já foram aplicadas 1.864.276 (cobertura de 23,94%).

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Letícia Lins e Miva Filho / SEI / Acervo #OxeRecife

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Um comentário

  1. Siga se cuidando bem, Letícia!
    Infelizmente em nossa cidade não há a presença governamental. As aglomerações persistem, bares apinhados até o dia amanhecer. Pessoas sem máscaras e lotando os hospitais. O que importa aqui é o comércio à qualquer custo. Mesmo ao custo de contaminação e morte dos pernambucanos. Lamentável!

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