Hotel Central: Cabaré da Rosa “bombou”

A julgar pelos comentários nas redes sociais, o Cabaré da Rosa, no Hotel Central, foi show. A festa foi produzida por um hóspede ilustre, o estilista  Ronaldo Fraga, e só poderia mesmo bombar. Ainda mais com a admiração que a população tem por Rosa, a mulher coragem, que cuidava da cozinha e resolveu assumir o hotel inteiro, em plena crise provocada pelo lockdown da pandemia.

Como se não bastasse o fato de o Hotel Central fazer parte da história e das memórias afetivas da cidade, hoje ninguém o concebe mais sem a presença de Dona Rosa, que respondia pelo restaurante com sua comida regional (Tempero da Rosa). O que pouca gente sabia, era que dona Rosa é uma grande cantora. Com preferência para músicas românticas, com as quais passou a conviver ainda menina, junto a uma tia que tinha um cabaré. Por conta disso, seu repertório tem tudo a ver, com músicas românticas do século passado, que hoje são chamadas de brega mesmo.

Pois foi o clima de cabaré que se criou para a festa. Na decoração – com muito papel celofane, predominância do vermelho – a cor dos inferninhos. Com a festa, Dona Rosa dá partida a uma movimentação que ela sempre sonhou desde que assumiu o Hotel Central: transformá-lo em um centro de agitação cultural. Por conta da Covid-19 e da Influenza, estou evitando ambientes fechados e, infelizmente, não estive lá. Mas quem foi, amou.

O clima de cabaré estava o máximo. Até no cardápio, escrito à mão em calças íntimas, de mulher. Mas nada de rendinhas. Calcinhas antigas grosseiras, mesmo, até porque quem trabalhava em cabaré não tinha dinheiro para luxo…  Amigo aqui do #OxeRecife, e criador do Grupo Bora Preservar, Denaldo Coelho teve a delicadeza de nos enviar um depoimento pessoal. Ele foi um dos primeiros a chegar na festa.

Veja o que ele diz sobre o Cabaré da Rosa:

Uma atmosfera mágica envolveu o Hotel Central na noite de 04/01/2022 e nos transportou para o Cabaré da Rosa, um autêntico bordel de antigamente, com pessoas vestidas a caráter e tudo.  Já na apresentação do estilista Ronaldo Fraga – por sinal um desbunde a decoração do salão do hotel, assinada por ele – já se imaginava o que estaria por vir.  E as pessoas não se decepcionaram, quando ele fez uma retrospectiva  da vida desse guerreira, chamada Rosa Maria, que fugia de casa, quando adolescente, para visitar  uma tia que tinha um cabaré, onde ela tomou gosto pela música. E finalmente a anfitriã entrou com  sua voz revivendo antigos sucessos de Ângela Maria, Núbia Lafayete, Elizeth Cardoso, que nos fez viajar por esse universo de nostalgia. Rosa dividiu o salão com a cantora Lilian, que nos embalou com sua voz suave e afinada ao som de antigos sucessos da MPB.

Denaldo comanda um dos muitos grupos que realizam caminhadas pelo Recife. E normalmente, elas terminam no Restaurante Tempero da Rosa, que funciona no térreo do histórico Hotel Central.  Foi uma forma que o grupo encontrou, de apoiar o trabalho de Rosa, logo que ela decidiu assumir o Hotel, quando ele ia fechar as portas.  Quase sem hóspedes na pandemia, os amigos  começaram a se juntar, para reforçar o caixa do Hotel, consumindo a comida regional já famosa de Dona Rosa:  “O Cabaré da Rosa veio para celebrar a vida, mas mais do que isso, veio para ficar”, diz Denaldo. Tomara. O Hotel Central, Dona Rosa e suas festas merecem ficar em evidência.  Nota dez para Rosa, para quem foi prestigiar a festa e sobretudo para Ronaldo Fraga, pela magia que consegue imprimir a tudo que faz. E quem foi diz que, há tempo, o bairro da Boa Vista não tinha uma noite tão inesquecível. Viva o Hotel Central!

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife

Fotos: Denaldo Coelho / Bora Preservar / Cortesia

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2 comentários

  1. Festa linda demais, parabéns, Letícia por dar mais visibilidade à esta mulher guerreira que está fazendo acontecer, e que venham outros eventos no majestoso Hotel Central!

  2. Parabéns pela reportagem Letícia! Você sempre com seu faro jornalístico para ótimas matérias!! Obrigado por divulgar e enaltecer o patrimônio pernambucano!!
    👏👏👏

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