Carnaval: Há como evitar aglomeração? O que dizem os cientistas

Não está fácil. O brasileiro em geral ama carnaval. O pernambucano, então… e o recifense, muito mais. Porém cientistas vêm desaconselhando a realização da festa, que eles consideram temerária diante do excesso de aglomerações, do fato da população não estar integralmente vacinada e do descontrole que se tornará o uso de máscaras em pleno rebuliço de álcool, suor e passo. No Recife, pelo menos três agremiações já anunciaram não irão às ruas em 2021.

O Homem da Meia Noite, os bloco Eu acho é pouco e A Mulher na Vara já anteciparam que não participarão de carnaval de rua por conta, ainda, das incertezas da pandemia e também diante da nova variante, a Ômicron que dizem ser mais contagiosa que as demais. O problema é que o assunto não é unanimidade. Pois o carnaval não é só festa, é toda uma cadeia produtiva que traz empregos, renda, hotéis cheios, voos lotados e reforço para os cofres públicos. Se depender das academias Pernambucana de Ciência e da Pernambucana de Medicina, a festa do carnaval não ocorreria.  As duas entidades advertem:

“São notórios os riscos à vida humana decorrentes de aglomerações de milhares de pessoas, sejam em ambientes privado ou público. Por exemplo, foram constatados pelo menos dez casos de Covid-19 entre 3.200 pessoas em um Cruzeiro, nos Estados Unidos. Em um bloco carnavalesco que chega a aglomerar pelo menos 1 milhão e meio de pessoas  – praticamente sem restrições sanitárias, devido à impossibilidade de controle – resultaria em um número esperado de 4.700 infectados. Num contexto de letalidade de 3 por cento, seriam, no mínimo 141 óbitos diretos. Esses números são previsões estocásticas, portanto, possuem certa incerteza, para mais ou para menos. Mesmo que seja para menos, não se justifica que  pessoas morram em função de atos equivocados de tomadores de decisão. E se for para mais, quem  será o responsável?

A APC e a APM, enfim, defendem “veementemente a não realização do carnaval de 2022, bem como festas particulares”. E recomendam que “os representantes do povo, eleitos pelo povo, procurem medidas para atenuar os problemas financeiros dos que dependem do  período carnavalesco”. Para as duas entidades, a realização da festa “pode resultar na ocorrência de uma nova onda da pandemia com mortes que podem ser evitadas”. A nota foi emitida em função do requerimento nº 123009/21, contra a realização do carnaval, e que foi votado na Câmara Municipal: 16 votos foram pela realização da festa, cinco foram pelo cancelamento.E houve três abstenções e quinze ausências. A ACM e AMP decidiram, então, divulgar nota de repúdio contra decisão da Câmara pela realização do carnaval. “Ainda há tempo de corrigir o equívoco, pois o momento é de manter a pandemia em queda, para salvar vidas”, reforçam.

Até o momento, a Covid-19 já provocou 617.348 óbitos no Brasil. Em Pernambuco, foram 20.350 desde o início da pandemia. Nessa quinta,  a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) informa que, por mais um dia, os dados de casos leves da Covid-19 em Pernambuco não poderão ser divulgados devido à indisponibilidade do sistema E-SUS Notifica do Ministério da Saúde. Há oito dias, que o sistema está fora do ar.  Nesta quinta-feira (16/12), a SES-PE registrou 18 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave confirmados para a Covid-19. Agora, Pernambuco totaliza 643.383 casos confirmados da doença, sendo 55.199 graves e 588.184 leves. Também estão sendo contabilizados seis óbitos, ocorridos entre os dias 01/10/2021 e 14/12/2021. 

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: PCR (Acervo #OxeRecife)

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