Esforço pela preservação da caatinga e pelo sequestro de carbono no Sertão

Não é novidade que a caatinga é um bioma exclusivo do Nordeste. Ou melhor, do Brasil. Portanto, único no mundo. Devido ao estigma das constantes estiagens, normalmente sua paisagem é associada à miséria, à fome, ao mato seco, como se não tivesse vida. O que pouca gente sabe é que sua flora é muito resistente e pronta para desabrochar e florir, assim que chegam as primeiras chuvas. Então, o Sertão ganha uma paisagem verde e tão exuberante, que inspira os poetas populares. Flores são vistas até nas pedras e em frestas do asfalto.

Portanto, a caatinga precisa e merece proteção. E, a exemplo do que ocorre em outros biomas – como Amazônia e Cerrado – há entidades não governamentais que atuam  para evitar que a situação se agrave. Uma dessas entidades é a Associação Caatinga, que desenvolve o Projeto No Clima da Caatinga, através do qual já conseguiu sequestro e emissão evitada de 615 mil toneladas de gás carbônico, garantindo  a manutenção de serviços ecossistêmicos como a segurança hídrica na região. ” O projeto tem contribuído para reescrever a relação do sertanejo com o bioma Caatinga, conservando a natureza. A ideia é estimular um desenvolvimento sustentável na região”, pontua o coordenador geral da Associação Caatinga, Daniel Fernandes.

Projeto começa a plantar 5 mil mudas de árvores nativas na Caatinga, entre os estados do Piauí e Ceará.

Aliás, sustentabilidade é tudo, nesses tempos de mudanças climáticas de consequências já previsíveis. É que tradicionalmente quando a seca avança e a fome aumenta, o sertanejo utiliza vegetação nativa para matar a fome e também costuma se valer da caça  para garantir proteína animal, consumindo  preás e arribaçãs. Algumas árvores que têm raízes tuberosas também são sacrificadas, para extração do que eles  chamam de “batatas”, que costumam comer cozidas ou assadas. Até mesmo a palma e o mandacaru viram alimentos para os humanos.

E é preciso repor o que se foi, claro. Agora, o Projeto está iniciando o plantio e cinco mil árvores nativas da caatinga.  A área beneficiada será a Reserva Natural Serra das Almas e escolas situadas em seu entorno. A RNSA, onde o trabalho se desenvolve, é uma unidade incluída na categoria Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), que é gerida pela Associação Caatinga desde 2000.  Sua área é de  6.285 hectares e está localizada entre os municípios de Crateús (CE) e Buriti dos Montes (PI). Ao redor da RPPN existem 40 comunidades rurais que abrigam cerca de 4 mil famílias.

Projeto vai trabalhar pela flora e também começa a monitorar os animais da caatinga, como o cada dia mais raro tatu.l

São trabalhados sete eixos de atuação: gestão e criação de unidades de conservação, restauração florestal, educação ambiental, disseminação de tecnologias sociais de convivência com o semiárido, o fomento à pesquisa científica, incentivo a políticas públicas socioambientais, além de campanhas de comunicação. As ações voltadas para a linha de conservação estão focadas no monitoramento e aprimoramento da gestão de cinco RPPNs da região, que são áreas legalmente protegidas. No Clima da Caatinga é uma iniciativa patrocinada pela Petrobrás, por meio do Programa Petrobrás Socioambiental.

A unidade de conservação também é palco para pesquisas científicas que envolvem a observação de animais, inclusive primatas e felinos de grande porte por meio de armadilhas fotográficas (câmeras ativadas por sensores de calor e movimento). Nessa etapa, que terá a duração de três anos, o projeto, que atua no semiárido nordestino desde 2011, vai promover ações que vão desde a restauração florestal até a distribuição de tecnologias sociais de convivência com o semiárido e adaptação às mudanças climáticas.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Divulgação / Associação Caatinga

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