Museus comunitários em discussão

Nós estamos habituados a visitarmos museus, que normalmente são instituições oficiais. No Recife, por exemplo, há museus da esfera federal (Museu do Homem do Nordeste), da gestão estadual (Museu do Estado) e também de âmbito municipal (como o Museu da Cidade do Recife e o Mamam). Há, também, os particulares que são mantidos por milionários. O que pouca gente sabe é que em vários locais vicejam, também, museus comunitários. O que é muito interessante. Pois um museu comunitário preserva a memória daquela comunidade, que normalmente não é enfocada nos museus maiores ou oficiais. Em Pernambuco, dois museus comunitários importantes poderiam ser citados: o Museu Kapinawá  e o Memorial Severina Paraíso Silva (Mãe Biu).

O primeiro fica em Buíque, no Agreste de Pernambuco, a 285 quilômetros do Recife. O segundo (foto) fica no  bairro de São Benedito, em Olinda. São museus comunitários como os dois que entram em discussão hoje à noite, a partir das 19h dessa terça-feira (21/9) na live Museus comunitários, ancestralidade e pertencimento, que vai ao ar no canal que a Secretaria de Cultura de Pernambuco (Secult-PE) tem no YouTube. O programa integra a décima quinta edição da Primavera dos Museus, que é organizada pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), e que acontece no mês de setembro, reunindo 680 instituições brasileiras.

Museus comunitários, como o Kapinawá, , ajudam a preservar a memória de grupos indígenas no interior de Pernambuco.

Do debate, participam Ronaldo Kapinawá, Pai Ivo de Xambá e Rosélia Rocha. Ronaldo é pedagogo, arqueólogo, guia turístico, fotógrafo e coordenador do Museu Kapinawá. Pai Ivo é criador e coordenador do Memorial Severina Paraíso, babalorixá da Casa de Xambá e presidente do segundo quilombo urbano do Brasil. Já Rosélia é museóloga formada pela Ufpe e trabalha na Gerência de Territorialidade e Equipamentos Culturais da Secult. Para Rosélia, iniciativas como a criação de museus comunitários “fortalecem a identidade e legitimam a história” e possibilitam o “turismo comunitário”.

Ela lembra, ainda, que o museu comunitário é “uma ferramenta para a construção de sujeitos coletivos, enquanto as comunidades se apropriam dele para desenvolver a consciência da própria história”. Para Ronaldo, o museu comunitário “é muito mais do que um ponto de cultura, é uma garantia de território, de demarcação da terra”. Já Pai Ivo de Xambá acredita que o Memorial Severina Paraíso da Silva é “um passo importante na luta contra o preconceito às religiões de matriz africana” e ajuda a quebrar “educação feita pela elite para a própria elite”.

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Serviço
O quê: Live sobre “Museus comunitários: ancestralidade e pertencimento”
Com quem: Pai Ivo de Xambá, Ronaldo Kapinawá e Rosélia Rocha
Onde: no Canal da Secult no YouTube https://www.youtube.com/user/SecultPE
Link da live: www.youtube.com/watch?v=5thmkLB5iVk
Quando: 21/09, terça-feira
Horário: 19h

Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Divulgação

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